“Moro ficou feliz”: Deltan agiu para Renan não conseguir presidência do Senado

Conselho Nacional do Ministério Público discute atuação do responsável pela Lava Jato nesta terça

Em novas conversas reveladas pelo site The Intercept Brasil, o procurador Deltan Dallagnol e seus colegas da Lava-Jato se parabenizaram pelo papel que tiveram na derrota de Renan na eleição para a presidência do Senado. E a situação só piora para Deltan.

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), órgão responsável pela fiscalização disciplinar de promotores e procuradores de todo o país, tem na pauta desta terça-feira (13) o processo contra Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba.

Sob críticas por causa das mensagens do Telegram obtidas pelo site The Intercept Brasil, o procurador pode vir a enfrentar a discussão de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que é anterior e não tem relação com os vazamentos. Na última quinta (8), Renan fez um aditamento com um novo pedido: que o conselho afaste o procurador de suas funções.

Além desse processo, havia no CNMP, até o início da semana passada, outras oito reclamações disciplinares em análise contra Deltan. Seis delas chegaram ao conselho depois que o Intercept e veículos parceiros publicaram reportagens com base nas mensagens de Telegram trocadas entre o procurador e seus colegas da Lava-Jato.

Sobre o processo aberto após a reclamação de Renan, o senador sustentou que o procurador fez postagens de cunho político que prejudicaram sua campanha à presidência do Senado, como a defesa do voto aberto — previsão que não estava na regimento da Casa. Renan acabou derrotado por Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Votação no Senado

Em janeiro, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, decidiu que a votação para a eleição da nova Mesa Diretora do Senado seria secreta, assim como na Câmara.

A votação secreta está prevista no Regimento Interno do Senado, no entanto, Marco Aurélio entendeu que a regra é inconstitucional. “O princípio da publicidade das deliberações do Senado é a regra, correndo as exceções à conta de situações excepcionais, taxativamente especificadas no texto constitucional”, escreveu o ministro.

Era tudo que os parlamentares alinhados e aliados ao presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL) não queriam. Eles entendiam que a votação secreta favorecia diretamente ao senador Renan Calheiros.

Foi o senador gaúcho Lasier Martins (PSD) que, ingressou com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal contrário ao sigilo do voto. Para ele, esse procedimento contraria a Constituição.

O então presidente, Eunício Oliveira (MDB-CE) contra argumentou no STF, defendendo a votação secreta e fez a observância da independência e autonomia dos poderes.

Com o voto secreto, os senadores não tinham dúvidas de que Renan Calheiros chegaria a presidência do Senado pela quarta vez. Mas com o voto aberto, a oposição esperava que o conjunto da casa tivesse uma certa inibição na hora do voto. E a eleição foi aquele circo, com votos extras, muita gritaria e vitória de Davi Alcolmbre (DEM-AP).

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