MP denuncia vereador Siderlane Mendonça e mais 15 por esquema de ‘rachadinha’

Grupo teria atuado na Câmara de Maceió entre 2018 e 2025 e movimentou quase R$ 3 milhões

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) denunciou 16 pessoas por participação em organização criminosa que atuaria na Câmara Municipal de Maceió.

Segundo a acusação, o grupo era liderado pelo vereador José Siderlane Mendonça (PL) e estava envolvido em “rachadinha”, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica eleitoral e uso irregular de recursos de campanha. A denúncia foi aceita pela Justiça Eleitoral, e os investigados se tornaram réus.

O esquema teria funcionado entre 2018 e 2025, com uso de cargos comissionados para desvio de salários e abastecimento de despesas privadas e eleitorais. Em abril de 2025, o vereador foi afastado do cargo e teve bens bloqueados (mais de R$ 200 mil).

O grupo operava com divisão de funções: núcleo familiar (concentração de recursos), núcleo financeiro (movimentações e pagamentos) e assessores (“laranjas”) que recebiam salários e devolviam parte ou totalidade dos valores. O dinheiro era usado para despesas pessoais (aluguel, veículos) e financiamento de campanhas com gastos não declarados.

As investigações (Polícia Federal, com quebras de sigilo, análises financeiras, dados de celulares e planilhas) apontam movimentação superior a R$ 2,8 milhões. Doações eleitorais incompatíveis com a renda de assessores reforçam suspeita de devolução de salários desviados.

O MP afirma que a soma das penas máximas pode ultrapassar 7 mil anos de prisão, com variação individual de 89 a 2.828 anos. O MP ressalta que a denúncia decorre de elementos robustos da investigação, cabendo ao Judiciário o processamento com contraditório e ampla defesa.

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