
O Ministério Público de Sergipe (MPSE) contestou a versão apresentada pela defesa do policial penal Tiago Sóstenes Miranda de Matos e afirmou que ele não tentou tirar a própria vida após assassinar a empresária e estudante de direito alagoana Flávia Barros dos Santos. O crime ocorreu em 22 de março deste ano em um hotel no bairro Coroa do Meio, em Aracaju.
Em coletiva na terça (26), a promotora Luciana Duarte afirmou: “Ele foi atingido inclusive de forma superficial na cabeça por tiros que ricochetearam em outros alvos. Essa alegação de que ele estava absolutamente abalado e que, portanto, acabou tentando tirar a própria vida cai por terra com base nas provas.”

Imagens de câmeras de segurança divulgadas pelo MP mostram o momento em que Tiago (ex-diretor do Conjunto Penal de Paulo Afonso, na Bahia) invade o quarto da vítima.
Por volta das 4h38 do dia do crime, Flávia chega sozinha ao hotel. Cerca de oito minutos depois, Tiago entra no local e segue até a porta do quarto, onde permanece por aproximadamente 15 minutos trocando mensagens com ela. Às 5h04, ele arromba a porta e efetua diversos disparos. A perícia constatou que Flávia estava deitada na cama no momento da execução.
A extração de dados dos celulares confirmou que a estudante vivia um relacionamento abusivo e já havia sofrido episódios anteriores de violência. O MP aponta que o crime foi motivado por violência doméstica e familiar, com comportamento possessivo e ciúme excessivo. Dias antes, Flávia havia rompido o namoro após Tiago efetuar disparos para o alto durante uma festa em Paulo Afonso, mas foi convencida a reatar após pedidos de desculpas. O MP também detalhou que o denunciado mantinha vida dupla (ocultava da vítima o fato de ser legalmente casado e ter família constituída em outro estado).
O MP formalizou pedido de condenação por feminicídio com duas causas de aumento (emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima, invadindo o quarto no repouso noturno, e uso de arma de fogo de uso restrito no contexto de violência doméstica). A promotoria requereu a pena máxima (até 40 anos). Tiago segue preso preventivamente no Presídio Militar (Presmil) em Aracaju.














