O assessor que dobrou Flávio Rachadinha com uma proposta de profissional. Vai encarar?

Briga com madrasta atinge população feminina, e Lula fatura escolhendo mulher como líder

Dá pra imaginar a conversa do machão Flávio Mentira com um assessor oculto.

— Você perdeu a cabeça, seu Flávio. Mais desastrado, impossível!

— Eu? Como assim? Que conversa é essa? Nunca estive tão lúcido e controlado.

O conselheiro oculto esboçou um sorriso irônico e prosseguiu.

— Inconcebível. Um senador federal, candidato a presidente da República, provocar, insultar e ofender uma mulher frágil e indefesa…

— Espera lá, não agredi ninguém. Gravei, sim, uns vídeos, mas não passou de desabafo. Todo mundo tem seus momentos de destempero verbal.

— Mas – retrucou o auxiliar contrafeito – descarregar assim logo em cima da mulher do próprio pai?

— Olha aqui, já postei uma mensagem bem suave e me desculpei. Retratação pura e simples. Agora está tudo bem. Mal-estar resolvido, fim da encrenca.

O assessor sabia que a postagem com pedido de desculpa não fora um gesto espontâneo. Tinha o dedo do pai, o fiador de sua aventura presidencial. Claro. Um Bolsonaro jamais cederia, não brigando com uma mulher. Mas teve de recuar após ouvir uma advertência óbvia:

— Filho, você atacou uma casa de maribondos. Ultrajou uma mulher, ofendeu a todas. Seu projeto político não ruiu de vez, creia, por conta do sobrenome. Só por isso.

Flávio Mentira se esforçou um pouco, conseguiu raciocinar e, mesmo a contragosto, concordou com a crítica. Afinal, o que pode aspirar um machista destratando uma mulher em um país de maioria feminina?

Meio que arrependido, o machão em condição de ‘férias forçadas’, admitiu que precisava de socorro, mas sem recorrer ao velho boss, ora penando numa domiciliar.

— Ouvir papai, de novo? Nem pensar. Tô fora de mais uma bronca pesada – disse ligando o celular e consultando o assessor oculto.

— A coisa ficou feia, meu. Lula segue na dianteira, cada dia mais firme. E agora, em resposta a minha desavença com a Michelle, escolheu uma mulher como líder do governo no Senado. Desgraçado, esse Lula. Puniu o líder flagrado com a mão na massa, digo, com a mão no Master, e ainda levantou a bola do mulherio. Um capeta, esse Lula. Bom, e agora o que faço? Como saio dessa?

Antes de opinar, o assessor invisível resumiu:

— Você maltratou a mulher de seu pai, uma respeitável representante feminina com peso para disputar até a sucessão presidencial. Não foi ‘uma qualquer’. Tem mais: Michelle disse que foi humilhada e lançou uma ameaça afirmando que ‘sabe muito mais do que você pensa’. Senti calafrios ao ouvir a indireta. O que ela quis dizer com isso?

Após o carão, o parceiro transmitiu a receita para tentar remediar o estrago político de efeito ainda não devidamente mensurado.

— Um conselho, chefe? Convide uma mulher para ser sua vice. Mulher com classe, charmosa, mas simples e comunicativa. E bonita, até pra contrastar com a Janja.

— Não – cortou o Rachadinha captando a intenção do interlocutor. Você tá descrevendo com precisão a própria Michelle!

— E você, o que acha?

Seguiu-se um silêncio tumular.

Mas o conselheiro invisível permitiu-se concluir fazendo uma interpretação pra lá de pertinente:

“Com uma bagagem de erros pessoais acima de suas forças e fadado a viver escondendo estripulias indescritíveis, o Flávio Rachadinha jamais aceitaria governar o Brasil tendo na vice-presidência uma sombra enorme – do tamanho da Michelle – a espreitá-lo com um olhar implacavelmente ameaçador”.

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