29 de julho de 2021Informação, independência e credibilidade
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O que dizem as abstenções e votos nulos e brancos?

Juntos, eles dizem que mais 213 mil eleitores de Maceió não votaram em nenhum dos dois candidatos.

O pouco movimento nas ruas e nos locais de votação já dava o sinal durante todo o dia de votação, neste domingo. Cravado em 28%, o número de abstenções neste segundo turno, em Maceió, superou o do primeiro turno, que ficou na margem de 25%. Por algum motivo, mais de 160 mil eleitores preferiram não sair de casa para votar, no dia de hoje.

O número superou a votação do candidato Alfredo Gaspar (MDB), que obteve 156,7 mil votos. Uma pausa: O que terá levado o candidato mais votado do primeiro turno a perder, agora para o número de abstenções?

Certo, essa é uma outra questão, mas não tem como desprezá-la na análise dos números neste segundo turno, que têm também um outro aspecto interessante: Embora tenham reduzido em relação à primeira votação, o número de votos brancos e nulos somaram, hoje, mais de 11%. Juntos – abstenções, nulos e brancos – mostram que mais de 213 mil eleitores de Maceió não quiseram votar em nenhum dos dois candidatos. Bem perto da votação que elegeu JHC prefeito de Maceió (222,1 mil votos).

Protesto? Descrédito? Acomodação? Embora muitos fatores tenham sua parcela de contribuição, um deles, sem dúvida, é a falta de identidade de uma parte do eleitorado – órfã das candidaturas do primeiro turno – com o perfil dos candidatos que disputaram o segundo turno. Até porque, na verdade, diferente de eleições anteriores, não houve sequer composições oficiais das candidaturas derrotadas com as duas que avançaram a esta segunda etapa do processo eleitoral, deixando os eleitores soltos no processo.

Além disso, a eleição em segundo turno é “solteira”; não tem a campanha “casadinha” com os vereadores, como no primeiro turno. Em tese, são eles que chegam mais perto do eleitor, no bairro onde moram, na comunidade que representam, no local onde exercem suas atividades que o fazem liderança. Sem eles, a campanha fica mais distante, e o eleitor mais acomodado.

São situações que acontecem em toda eleição, mas nem por isso esses números costumam chegar a tanto. E vale destacar que não foi só em Alagoas. Aliás, em alguns outros municípios ela foi até maior. Bem maior! Em Goiânia, a taxa de abstenção chegou a 36%; no Rio de Janeiro, 35%; em Porto Alegre, 32%; em São Paulo, o percentual foi de 30,7%. A média nacional ficou em torno de 30%.

Certo, tem a pandemia, também (ainda tem, viu!). Mas no geral, o que se percebe, mesmo, é o descrédito e a desesperança que cresce entre o eleitorado, em relação à política e seus representantes.

Esse é o recado que merece ser refletido. Sobretudo para quem pretende sobreviver às próximas eleições.