21 de janeiro de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

OMS: Brasil, México e EUA são ameaças e precisam repensar estratégia contra covid-19

Com 94 mil mortes, o Brasil é alvo de críticas por parte do especialista da Organização Mundial de Saúde

A resposta do governo brasileiro diante da pandemia deve ser alvo de um inquérito ou de uma avaliação. A declaração é do cientista suíço e colaborador da OMS (Organização Mundial da Saúde), Didier Pittet, considerado como um dos principais epidemiologistas na Europa.

Nas últimas semanas, ele foi escolhido pelo presidente francês Emmanuel Macron para liderar um processo de avaliação sobre como a França reagiu à pandemia.

Suas palavras sobre a situação brasileira são especialmente duras. De acordo com ele, Brasil, Estados Unidos e México “devem ser considerados como perigos para o restante do mundo” e representam uma ameaça aos países que, hoje, conseguiram um certo controle do vírus.

Pittet é um dos conselheiros externos da OMS e um dos principais nomes em higiene pública no mundo. Na Suíça, ele lidera os trabalhos no Hospital de Genebra e é tido como uma das personalidades que ajudou a democratizar o uso do gel para limpar as mãos nos últimos anos.

Hoje, EUA, Brasil e México contam com os maiores números de mortes no mundo.

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Com 94 mil mortes, o Brasil é alvo de críticas por parte do especialista.

“É claro que estamos todos decepcionados pela reação do presidente Jair Bolsonaro. O que ele fez foi uma forma de negar a emergência que estava chegando”. Didier Pittet, um dos principais epidemiologistas na Europa.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que não haverá solução mágica contra Covid-19 no Brasil, alerta o país precisará percorrer um “longo caminho” para sair da crise e sugere que as autoridades no país repensem suas estratégias se quiserem superar a pandemia.

“A situação no Brasil continua sendo de grande preocupação, com muitos estados relatando muitos casos”.  Mike Ryan, diretor de operações da OMS.

Citando os mais de 60 mil casos diários e mais de mil mortes, ele destaca que a transmissão continua intensa e alerta que “existem poucas rotas” hoje para sair da crise. Para Ryan, a primeira etapa precisa ser a de suprimir transmissão comunitária.

“Isso só pode ser feito com uma parceira forte entre governo federal, estadual e comunidade”, defendeu o irlandês nesta segunda-feira, numa coletiva de imprensa em Genebra.

Sua avaliação é de que o governo, assim como em outros países, deve criar condições para impedir que o vírus se transmita e estabelecer uma “arquitetura de segurança”, detectar casos e criar uma situação em que a proliferação seja dificultada, principalmente em aglomerações. O especialista admite que isso é fácil de dizer e difícil de implementar.

A Organização Mundial da Saúde ainda alerta que, mesmo que a vacina seja uma esperança, a comunidade internacional não deve esperar que haja uma “bala de prata” contra a pandemia da Covid-19.