Oposição argentina envia missão a Brasília para se descolar de Milei e reabrir diálogo com Lula

Deputados de partidos que representam 60% do Parlamento viajam no dia 31 para ratificar que ataques do presidente não têm respaldo interno

Pelo menos dez parlamentares argentinos de partidos de oposição ao governo de Javier Milei viajarão a Brasília no dia 31 de agosto com o objetivo de abrir um canal de diplomacia parlamentar entre os dois países, que vivem uma crise diplomática sem precedentes.

A missão, liderada pelo deputado Nicolás Massot (Províncias Unidas), busca ratificar que os partidos que compõem 60% das bancadas do Congresso argentino não endossam a disputa política iniciada por Milei contra o presidente Lula.

O partido governista A Liberdade Avança foi convidado, mas não participará. Massot informou o chanceler Pablo Quirno sobre a iniciativa, sem obter resposta. Em Brasília, a comitiva será recebida pelo senador Nelsinho Trad (PSD), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, e deve ter reuniões no Itamaraty.

A crise teve início quando Milei chamou Lula de “presidiário” e ofendeu o ministro Alexandre de Moraes durante evento do PL em São Paulo, levando o Brasil a chamar seu embaixador em Buenos Aires para consultas e a rebaixar o nível das relações.

Ainda que as águas tenham se acalmado em agosto, novos ataques de Milei mantiveram o embaixador brasileiro no país. A relação entre os dois países vive seu pior momento desde o século XIX. Massot afirmou que a missão quer abrir um canal diplomático para que as relações retornem ao patamar anterior. Ele também apresentará um projeto no Congresso argentino repudiando as ofensivas de Milei, considerando-as incompatíveis com a responsabilidade institucional e contrárias ao respeito entre nações democráticas e vizinhas.

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