21 de janeiro de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Para Bolsonaro, antifascistas em protestos são “marginais” e “terroristas”

Presidente desaconselhou apoiadores a irem às ruas no próximo domingo, mas já fez isso outras vezes e sempre marcou presença

Na porta do Palácio da Alvorada, falado com seus apoiadores, o presidente Jair Bolsonaro classificou integrantes de grupos antifascistas que estão promovendo protestos contra seu governo de marginais e terroristas. Ele defendeu ainda uma retaguarda jurídica para atuação policial nas manifestações.

“Começou aqui com os antifas em campo. O motivo, no meu entender, político, diferente dos EUA. São marginais, no meu entender, terroristas. Têm ameaçado, domingo, fazer movimentos pelo Brasil, em especial, aqui no DF”. Jair Bolsonaro, presidente.

Na segunda-feira (1º), o presidente já havia dito a seus apoiadores que eles não deveriam ir às ruas no domingo (7), como fazem todos os finais de semana, já que, neste, está marcado um ato contra o fascismo e em oposição ao governo Bolsonaro.

Normalmente, os apoiadores de Bolsonaro, entre eles os 300 do Brasil, protestam todos os domingos, inclusive na quarentena. Entre suas pautas estão o retorno das atividades econômicas, apesar do avanço do coronavírus (algo que eles reconhecem, pois sempre estão com um caixão) e o fechamento do Congresso ou STF. Não incomum, eles também pede o retorno da ditadura militar.

De qualquer forma, não se sabe se o presidente vai, ou não, participar dos protestos. Após confrontos no último domingo, estados como São Pauo, por exemplo, já proibiram manifestações contrárias acontecendo no mesmo dia.

“Eu já disse que não domino, não tenho influência, não tenho nenhum grupo e nunca convoquei ninguém para ir às ruas”. Jair Bolsonaro.

Só que ele sempre está lá, desde o início da pandemia. Em março, ele já havia feito um pronunciamento desaconselhando seus apoiadores, mas, ele mesmo compareceu ao ato de 15 de março. E no último domingo, montou até num cavalo para estar presente.

“Não podemos deixar que o Brasil se transforme no que foi há pouco tempo o Chile. Não podemos admitir isso daí. Isso não é democracia nem liberdade de expressão. Isso, no meu entender, é terrorismo. A gente espera que este movimento não cresça, porque o que a gente menos quer é entrar em confronto com quem quer que seja”. Jair Bolsonaro.

Sobre as manifestações antirracistas que se espalharam por diversas cidades nos Estados Unidos depois que um policial branco matou um homem negro, Bolsonaro afirmou que, lá, o “racismo é diferente”.

“Lá o racismo é um pouco diferente do Brasil. Está mais na pele. Então, houve um negro lá que perdeu a vida. Vendo a cena, a gente lamenta. Como é que pode aquilo ter acontecido? Agora, o povo americano tem que entender que, quando se erra, se paga. Agora, o que está se fazendo lá é uma coisa que não gostaria que acontecesse no Brasil (…) Este tipo de movimento, nós não concordamos”. Jair Bolsonaro.