
Ele se mantém em silêncio, sem declarações nem entrevistas, mas seu nome volta a figurar em sondagens de intenção de voto para governador. Na mais recente do Paraná Pesquisas, divulgada no dia 22 de outubro, o prefeito João Henrique Caldas (PL) aparece liderando a corrida com 46,3% contra 42,1% atribuídos ao ex-governador Renan Filho (MDB).
Os números revelam uma inversão de posições captadas nos últimos 30 dias, pois em 24 de setembro, sondagem divulgada pelo Instituto Real Time Big Data mostrava o ministro de Lula com a preferência de 49% dos eleitores, enquanto o prefeito de Maceió aparecia com apoio de 43% do eleitorado alagoano.
Mas há um detalhe a considerar: levando-se em conta a margem de erro dos levantamentos, tanto o de setembro quanto o de outubro apontam empate técnico, indicando que, se acontecer confronto formal no processo eleitoral, a disputa será duríssima.
Ambos, ministro e prefeito, estão em campanha, ainda discreta, é verdade, mas o primeiro já adiantou que vai disputar o cargo de governador, função que exerceu por duas vezes entre 2015 e 2022.
JHC não diz abertamente o que deseja em relação a 2026, razão pela qual seu nome tem aparecido em pesquisas de forma aleatória, mas políticos de seu convívio e até familiares dizem ter ouvido ele afirmar que pretende sim concorrer ao governo do Estado.
Aqui, vale um lembrete: para conseguir que o presidente Lula nomeasse sua tia Marluce Caldas ministra do STJ, o prefeito reeleito em 2024 precisou do apoio do senador Renan Calheiros e também recorreu ao deputado Artur Lira. Em face disso, surgiu a versão de um ‘acordo’ que teria sido firmado em Brasília: JHC conseguiria a nomeação da tia, mas ficaria na Prefeitura até o final do mandato.
Assim, Renan Filho disputaria o governo, enquanto a corrida às duas vagas no Senado reuniria Renan Calheiros (MDB) e Artur Lira (PP). O prefeito de Maceió nunca negou ou confirmou tal acerto.
Por conta disso, dentro e fora dos meios políticos questiona-se o tempo todo: o prefeito JHC vai encarar a eleição de governador, agora entusiasmado com a ‘vantagem numérica’ que o Paraná Pesquisas lhe confere em relação a Renan Filho? Claro, só ele pode responder.
Mas muito provavelmente não responderá sem antes fazer uma reflexão, uma análise detida sobre seu capital político e o potencial eleitoral do seu mais ‘possível ou provável’ oponente. Porque, de bobo, JHC não tem nada.
A primeira reflexão conduz a um ponto crítico normalmente relevado por analistas políticos: uma coisa é pesquisa antes do processo eleitoral, outra é o embate com as forças políticas em ação. Forças políticas são os candidatos, apoiadores, correligionários, enfim, os aliados de um lado e do outro. Seu peso e sua influência sobre o eleitorado não aparecem senão quando a campanha é deflagrada. Porque é nesse momento que todos caem em campo e dão tudo em busca do voto.
O prefeito de Maceió, isso é ponto pacífico, tem o apoio maciço do eleitorado da capital e pode contar com o apoio fechado do deputado Artur Lira no interior. Conta e muito. Mas Renan Filho belisca 20% dos votos da capital e morde o grosso do eleitorado interiorano.
Apoiam RF cerca de 85 dos 102 prefeitos alagoanos. Somente o MDB elegeu 65 desses prefeitos. Outros aderiram e migraram para seu partido. Ele ainda tem a adesão de mais de 600 vereadores, além de 23 deputados estaduais liderados por Marcelo Victor, presidente e líder absoluto da Assembleia Legislativa.
Dado importante: além de vários deputados federais e dois senadores, também apoia Renan, no momento de maior aprovação popular (61% conforme números novos do Paraná Pesquisas), o governador Paulo Dantas, cada dia mais reconhecido pelo trabalho que está mudando Alagoas com gestão dinâmica e avanços em todos os setores essenciais do Estado. São pontos para João Henrique analisar.
Nessa linha de avaliação, JHC não responderá se encara ou não o desafio de concorrer ao governo antes de analisar outro ponto fundamental: o apoio de Lula, candidato à reeleição quase que sem adversário, agora que o bolsonarismo implodiu de vez com o ex-capitão Jair Messias condenado, inativo, inelegível.
Com tudo isso em jogo, o prefeito maceioense deve por último considerar o risco que correrá assumindo a disputa sucessória, ao passo que Renan Filho, após as eleições, terá ainda quatro anos de Senado e poderá até ser convidado a voltar para o ministério, se a sucessão realmente emplacar um ‘Lula 4’.














