PF aponta 74 ligações, presentes e uso de jatinhos entre Jaques Wagner e ex-sócio do Banco Master

Documentos da investigação revelam troca de mensagens, encontros discretos e articulação de reunião com ministro da AGU

Documentos da Polícia Federal apontam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, mantiveram ao menos 74 ligações telefônicas entre novembro de 2023 e maio de 2025, somando cerca de cinco horas e meia de conversas. Segundo a PF, a preferência por chamadas de voz, em vez de mensagens escritas, poderia indicar uma tentativa de evitar registros textuais sobre temas considerados sensíveis.

De acordo com a investigação, o senador recebeu presentes, utilizou jatinhos e articulou um encontro reservado em seu gabinete com executivos do Banco Master e o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias. Em um áudio de abril de 2024, Wagner sugere que a reunião ocorra em seu gabinete por ser um local “mais protegido e discreto”. No dia seguinte, segundo o relatório, Jorge Messias ativou as mensagens temporárias no WhatsApp em conversa com o empresário. O ministro negou participação.

O relatório também afirma que Wagner teria recebido vinhos avaliados em até R$ 5.300, além de ingressos para um show de Taylor Swift, estimados em R$ 63 mil, destinados à filha e à neta do senador. A investigação cita ainda tratativas para a compra de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador. Segundo a PF, as negociações continuaram mesmo após a deflagração da Operação Compliance Zero, o que, para os investigadores, indicaria um “arranjo estruturado” entre agentes públicos e privados.

Em junho, Jaques Wagner classificou a investigação como uma “patacoada”, negou qualquer relação de troca de favores e afirmou que atuou contra, e não a favor, dos interesses do Banco Master. Procurados, os demais políticos citados no relatório não se manifestaram.

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