PF faz operação e bloqueia R$ 670 milhões do Banco Digimais, de Edir Macedo

Investigação aponta que instituição replicou práticas do extinto Banco Master ao inflar artificialmente ativos

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (23) a Operação Miragem contra suspeitas de fraude na gestão do Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo (fundador da Igreja Universal do Reino de Deus). Mais de 50 policiais cumprem nove mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal em São Paulo.

A decisão autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e o sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 670.348.945,70. Edir Macedo é citado como um dos investigados por ser proprietário do banco. A investigação mira crimes contra o Sistema Financeiro Nacional (gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis, indução de investidores e órgãos de controle a erro e operação de crédito vedada com controlador).

A PF aponta que o banco adotou práticas para inflar artificialmente seu patrimônio (superavaliação de ativos, manutenção de valores sem lastro econômico e operações internas com empresas e fundos ligados à estrutura investigada) para ocultar a real situação econômico-financeira e viabilizar novas captações.

Segundo a PF, o Digimais adotou “práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às do extinto Banco Master”, replicando a prática de superavaliar ativos mediante emissão de títulos com rentabilidades desproporcionais e manipulações nos balanços para ocultar a deterioração da carteira de crédito.

O esquema girou em torno de direitos de crédito originados de uma ação de indenização de 1967 (movida por herdeiros da família Villela contra a União). Ativos adquiridos por R$ 71 milhões passaram a constar nos balanços por R$ 741,3 milhões – diferença de R$ 670,3 milhões. O BC detectou a irregularidade em outubro de 2023 e determinou que o banco revertesse as reavaliações.

O Digimais pediu parcelamento, mas, em vez de cumprir, vendeu as cotas do fundo para sua própria controladora pelo valor cheio (R$ 741,3 milhões), com pagamento estipulado para 2032, mantendo nos balanços os valores artificiais sob a rubrica de “valores a receber do controlador”. O UOL tenta contato com a defesa de Edir Macedo e com o Banco Digimais.

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