PF indicia deputado Gustavo Gayer por suspeita de desvio de cota parlamentar

Parlamentar é investigado por associação criminosa, falsidade ideológica, falsificação de documento e peculato; ele ironiza acusações em vídeo.

O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) foi indiciado pela Polícia Federal por suspeita de integrar uma associação criminosa que usou documentos falsos para desviar recursos da cota parlamentar. O indiciamento, que abrange os crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, falsificação de documento particular e peculato, é resultado da Operação “Discalculia”, deflagrada em outubro do ano passado.

Segundo a PF, a investigação apontou a criação fraudulenta de uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) com o objetivo de ser beneficiada com verbas da cota parlamentar de Gayer. O relatório foi enviado ao Supremo Tribunal Federal. A operação recebeu o nome “Discalculia” – transtorno de aprendizagem relacionado a números – porque foi identificada falsificação na Ata de Assembleia de constituição da entidade, com data retroativa a 2003. A PF destacou que o quadro social da organização era formado por crianças de um a nove anos.

Durante as diligências, foram cumpridos 19 mandados de busca em Brasília e em quatro cidades de Goiás, e foram apreendidos R$ 70 mil em dinheiro vivo com um assessor do parlamentar.

Defesa e ironia de Gayer

Em vídeo enviado à imprensa, Gayer ironizou o indiciamento, afirmando: “Descobriram minha associação criminosa. Acabei de ser indiciado. Não só eu, mas praticamente todo meu gabinete aqui em Goiânia e até mesmo meu filho”. Ele explicou que, em 2013, abriu uma escola de inglês em Goiânia, que foi fechada em 2020 durante a pandemia. Em 2022, o local foi reaberto como escritório político – denominado “Bolso Point” – para vender artigos de campanha de Jair Bolsonaro e apoiar sua própria eleição.

Gayer admitiu ter esquecido de atualizar o contrato social do imóvel, mantendo o registro da escola de inglês, o que, segundo ele, está sendo usado pela PF para sugerir que ele usava a cota parlamentar para custear uma escola inexistente. Ele relatou que um agente da PF disfarçado foi ao local perguntar se funcionava uma escola de inglês e recebeu resposta negativa da recepção – fato registrado no inquérito.Gayer é considerado um dos favoritos na disputa por uma vaga ao Senado por Goiás nas eleições de 2026, aparecendo atrás apenas de Gracinha Caiado (União) nas pesquisas Real Time Big Data.

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