PF mira ex-presidente do Iprev, secretário da Fazenda e mais quatro pessoas em operação

Ministro André Mendonça autorizou buscas e bloqueio de bens dos investigados, mas negou afastamento de funções

A Polícia Federal realizou nesta segunda-feira (10) uma operação que tem como alvos seis investigados no caso das aplicações de R$ 97 milhões do Iprev de Maceió em letras financeiras do Banco Master. Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do STF, e alcançaram endereços em Alagoas e São Paulo.

Entre os alvos estão Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-presidente do Iprev, que assinou as autorizações dos aportes; Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos; Renan Foglia Calamia, dirigente da consultoria Crédito & Mercado; Marília Alexandre de Lima Alves, integrante do núcleo de governança; Marcelo Brasileiro Santos, ex-integrante do Comitê de Investimentos; e João Felipe Alves Borges, atual secretário municipal da Fazenda e ex-integrante do Conselho de Administração do Iprev.

A investigação aponta que a política do instituto previa meta de 0% para ativos bancários em 2023 e limite de 5% em 2024, mas a exposição ao Master teria chegado a cerca de 20%. O banco não constava da lista de instituições autorizadas pelo Ministério da Previdência na época do primeiro aporte, em dezembro de 2023. André Mendonça autorizou o bloqueio conjunto de bens dos seis investigados até o limite de R$ 97 milhões, mas negou o afastamento deles das funções públicas. JHC (PSDB), ex-prefeito de Maceió, não aparece entre os alvos da decisão.

Outro lado

Através de nota, Crédito & Mercado nega categoricamente ter participado das decisões sobre os investimentos do IPREV Maceió no Banco Master, afirmando que não analisou, recomendou ou executou as operações. A empresa diz que colabora com as investigações e que os atos de aprovação e movimentação dos recursos são de responsabilidade exclusiva do instituto.

A Crédito & Mercado refuta categoricamente a tentativa de atribuir à empresa atos que foram praticados totalmente pelo IPREV Maceió e sobre os quais a consultoria não teve qualquer poder de decisão ou execução. A empresa nunca foi consultada sobre os investimentos no Banco Master, não analisou ou recomendou as operações, não emitiu parecer técnico, não conduziu o credenciamento, não foi responsável pela formalização documental e, em nenhuma hipótese, ordenou, movimentou ou transferiu recursos do instituto.

A única participação de Renan Calamia mencionada nesse contexto foi o que ocorreu em uma reunião remota, exclusivamente para apresentação de cenário econômico, da qual se retirou antes da continuidade das discussões e deliberações, fato que não ficou claro na respectiva ata. Usar essa participação pontual para atribuir à Crédito & Mercado a condução administrativa ou operacional dos investimentos é uma afirmação falsa e não corresponde aos fatos.

A empresa está colaborando integralmente com as autoridades e é um agente colaborativo na investigação e apresentará toda a documentação necessária para comprovar, de forma inequívoca, que não participou dessas operações. As decisões administrativas, a aprovação e a efetiva movimentação dos recursos são atos do IPREV e devem ser esclarecidos pelos gestores e agentes responsáveis por sua realização.

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