PF: Orçamento secreto continua mesmo após saída de Lira da presidência Câmara

Operação aponta que assessora de Hugo Motta, Mariângela Fialek, seguiria centralizando distribuição não transparente de emendas

A Polícia Federal identificou indícios de que o esquema conhecido como “orçamento secreto” teria continuado a operar mesmo após a saída de Arthur Lira (PP-AL) da presidência da Câmara dos Deputados, em 2024. A constatação está no relatório que fundamentou a operação desta quinta-feira, que cumpriu mandados de busca contra a assessora especial Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, atualmente lotada em uma sala da presidência da Casa, agora comandada por Hugo Motta (Republicanos-PB).

Pela primeira vez, a PF levantou a suspeita de que há uma tentativa de perpetuar as práticas do orçamento secreto na gestão de Motta. O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, que autorizou as buscas, citou em sua decisão que, segundo depoimentos de parlamentares colhidos pela PF, Tuca seguiria atuando para atender aos interesses de Arthur Lira, centralizando o controle do pagamento de emendas parlamentares sem transparência.

Em trecho da representação da PF, reproduzido por Dino, afirma-se: “De maneira mais relevante, há elementos que indicam que, apesar da troca de comando na Câmara dos Deputados, a investigada manteria, ainda, importante papel nas já conhecidas tentativas de perpetuação do malfadado orçamento secreto”. A análise da PF não menciona diretamente o nome de Hugo Motta, mas destaca que Tuca mantém um “protagonismo” na organização da distribuição de recursos, similar ao que exercia na gestão anterior.

O relatório da PF, que analisou a quebra de sigilo telemático de Tuca, aponta que as informações sob seu controle “deixam claro que não só havia o controle de parlamentares e partidos que receberiam os recursos, como esse controle era rigidamente reportado internamente na Câmara”.

O documento ainda ressalta que “esse processo, ao menos em parte, era centralizado em Tuca, na esteira do que diversos elementos desta investigação demonstravam”.

Arthur Lira afirmou, por meio de sua assessoria, que só se manifestará após ter acesso integral ao conteúdo da investigação. A reportagem tenta contato com a defesa de Mariângela Fialek para posicionamento, mas ainda não obteve resposta.

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