Piora a relação dos investigadores da fraude do Banco Master com o ministro Toffoli

Eles apontam uma interferência direta na autonomia da PF, responsável pela investigação do caso.

Ao reduzir o prazo para os depoimentos dos investigados na fraude do Banco Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, causou mais um desconforto na Polícia Federal (PF).

No novo capítulo da tensão entre o magistrado e a corporação, delegados federais ouvidos pelo Correio Braziliense, sob a condição de anonimato, afirmam que a mudança no cronograma pode comprometer o resultado das oitivas do inquérito.

Mas além disso, apontam uma interferência direta na autonomia da PF, responsável pela investigação do caso.

Antes, os agentes tinham seis dias para concluir o procedimento, mas, agora, terão somente dois. Os depoimentos estavam previstos para ocorrer entre os dias 23 e 28 de janeiro, mas Toffoli requisitou que a PF sugira um novo calendário, com dois dias consecutivos para a conclusão dos interrogatórios. Segundo o ministro, a mudança deve acontecer por causa de limitação de pessoal e de salas no prédio do Supremo.

Argumentam ainda  que toda investigação tem uma sequência de ações e estratégias definidas pelo responsável, e que as ações do ministro representam uma interferência na atuação da corporação, cuja consequência pode ser o surgimento brechas no relatório final do inquérito.

A alteração do cronograma, quando imposta pelo Judiciário, reduz a margem técnica de planejamento da PF e pode gerar alegações dos advogados de defesa, como cerceamento, seletividade ou fragilidade procedimental, o que ameaça afetar a consistência do conjunto probatório.

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