Quarenta artistas receberam R$ 3,08 bilhões em shows públicos desde 2024, aponta levantamento

Wesley Safadão, Xand Avião e Ana Castela estão entre os nomes mais contratados por prefeituras e governos estaduais; valor se aproxima do orçamento anual do Ministério da Cultura.

Um levantamento do observatório De Olho nos Ruralistas, divulgado nesta quarta-feira (1º), revela que apenas quarenta bandas e artistas receberam R 3,08bilhões em caches pagos por prefeituras e governos estaduais entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de março de 2026. A soma recebida por esses 40 artistas desde janeiro de 2024 se aproxima do recorde de captação pela Lei Rouanet, de R$ 3,41 bilhões em 2025.

Com duas diferenças: 1) apenas a quantia do top 40 sai diretamente dos cofres públicos; 2) a Lei Rouanet se refere a diversas expressões artísticas, não somente a música., com a diferença de que os shows são pagos diretamente com dinheiro público, sem a necessidade de patrocínio privado.

O relatório “Farras: como os shows com dinheiro público conectam artistas, bets, política e agronegócio” analisou mais de 20 mil contratos, quase 40% deles ausentes no Plano Nacional de Contratações Públicas (PNCP). Contrariando a ideia de que o sertanejo lidera esse mercado, os forrozeiros, piseiros e representantes de ritmos nordestinos dominam o topo da lista, ocupando sete das dez primeiras posições, com destaque para Wesley Safadão (que lidera com R$ 158 milhões) e Xand Avião. Apenas uma dupla sertaneja (Maiara e Maraisa) aparece entre os dez mais bem pagos, embora o gênero totalize catorze nomes no ranking dos 40.

A pesquisa também aponta que R$ 1,78 bilhão do total foi concentrado por apenas vinte artistas ligados a cinco produtoras, duas delas pertencentes a Wesley Safadão e Xand Avião. O relatório critica o uso de contratos por inexigibilidade, que dispensam licitação com base na notoriedade dos artistas, e destaca casos de cantores que criticaram a Lei Rouanet, como Eduardo Costa (22º lugar) e Zé Neto (21º), mas que seguem sendo contratados com verbas públicas. Os contratos são firmados por prefeituras e governos, em alguns casos com repasses do Ministério do Turismo, e não estão sujeitos ao mesmo escrutínio dos projetos culturais aprovados pela lei federal.

ÚLTIMAS
ÚLTIMAS