
O afundamento do solo provocado pela mineração da Braskem em Maceió pode ter causado um prejuízo de R$ 39,84 bilhões à União, segundo laudo da Polícia Federal concluído em 2025. A perícia aponta que aproximadamente 121,9 milhões de toneladas de sal-gema permaneceram no subsolo, mas se tornaram inviáveis para exploração após o comprometimento das minas. Como os recursos minerais pertencem à União, a impossibilidade de aproveitamento da jazida representa, segundo a investigação, uma perda para o patrimônio público.
O laudo integra o conjunto de documentos utilizados pelo Ministério Público Federal para apurar a atuação da empresa no desastre. A investigação aponta que a exploração teria ocorrido em desacordo com o planejamento previsto, prática classificada como “lavra ambiciosa”. O MPF também suspeita de alterações em documentos técnicos relacionados à estabilidade das cavernas. A Agência Nacional de Mineração afirma que realizou fiscalizações, aplicou autuações e cobrou estudos sobre as cavidades e o monitoramento do afundamento do solo.
A Braskem contesta a acusação de exploração irregular e não reconhece o valor apontado pela perícia. A empresa sustenta que as atividades seguiram as normas do setor e foram realizadas com licenciamento e fiscalização dos órgãos responsáveis. Em outubro de 2025, o MPF apresentou denúncia contra a petroquímica e outras 15 pessoas. Em junho deste ano, a Justiça Federal em Alagoas recebeu parcialmente a denúncia, permitindo o prosseguimento da ação penal contra a empresa e outros acusados.

O afundamento do solo atingiu os bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol. Dados oficiais apontam que aproximadamente 60 mil pessoas precisaram deixar seus imóveis em razão do desastre.
Paralelamente, a Braskem entrou com pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo para renegociar uma dívida de cerca de R$ 54 bilhões, a maior parte denominada em dólares. A empresa obteve 90 dias de proteção para concluir o plano de reestruturação junto aos credores. O pedido busca assegurar um “ambiente jurídico estável” para as negociações, conforme fato relevante divulgado pela companhia. A recuperação tem escopo limitado ao âmbito financeiro e não abrange obrigações com fornecedores, clientes e demais stakeholders.

A Braskem registrou lucro de R$ 3,33 bilhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o prejuízo registrado no mesmo período do ano anterior. Apesar da melhora operacional, influenciada pelo conflito no Oriente Médio, que elevou os spreads petroquímicos, a estrutura de capital segue como ponto de atenção. A dívida líquida ajustada da companhia, excluindo a subsidiária mexicana, encerrou junho em US$ 9,43 bilhões. A Fitch rebaixou a nota de crédito da Braskem de C para RD (inadimplência restrita) devido ao não pagamento de juros sobre obrigações financeiras.














