29 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Mundo

Rússia ameaça usar bombas atômicas e Otan diminui ajuda à Ucrânia

Motivo da cautela é o temor dos membros mais ocidentais da Otan de que a crise escale para um conflito mundial

O vice-embaixador russo na ONU (Organização das Nações Unidas), Dmitry Polyanskiy, disse que seu país tem o direito de usar armas nucleares se for “provocado” pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Hoje, a invasão da Ucrânia completa um mês e uma reunião de líderes da aliança militar ocorre em Bruxelas.

Em entrevista à emissora britânica Sky News, Polyanskiy, um dos principais diplomatas da Rússia nos Estados Unidos, foi questionado sobre declaração do porta-voz do presidente russo, Vladimir Putin, que afirmou que seu chefe poderia apertar o botão nuclear, caso o país sinta que está enfrentando uma ameaça “existencial”.

E com essa ameaça de conflito nuclear, Otan moderou o tom após dias falando grosso e manteve um receituário convencional na sua reunião realizada nesta quinta-feira (24) para discutir o primeiro mês da guerra de Vladimir Putin na Ucrânia.

“Temos responsabilidade de assegurar que o conflito não escale”, disse o secretário-geral da aliança militar, Jens Stoltenberg, sem usar o termo Terceira Guerra Mundial. Assim, foram repetidos anúncios feitos ao longo das duas últimas semanas.

Haverá um incremento no envio de armas mais leves, como mísseis antitanque, à Ucrânia, além de mais ajuda financeira a Kiev para tocar seu esforço de guerra.

O esperado protocolo de ação em caso de Putin usar armas de destruição em massa (nucleares, químicas ou biológicas) contra os ucranianos não foi divulgado. O norueguês apenas repetiu que tal uso causaria risco de contaminação a países da Otan vizinhos à Ucrânia, o que “teria grandes consequências”.

O motivo da cautela é o temor dos membros mais ocidentais da Otan de que a crise escale para um conflito mundial. A Ucrânia não pertence à aliança, mas um ataque a um país do clube ou o envolvimento direto dele nos combates poderia levar, como disse o presidente americano, Joe Biden, à Terceira Guerra.

“Seria mais devastador do que agora”, disse Stoltenberg, algo óbvio, sem nem incluir o fato de que Rússia e EUA detêm 90% das armas nucleares do mundo —na Otan, França e Reino Unido também têm as suas.