21 de outubro de 2020Informação, independência e credibilidade
Brasil

Sara se sente abandonada por Bolsonaro e Damares: ‘piroca no meu cu’

Extremista afirma que General Heleno a proibiu de gritar com a imprensa e de não criticar mais Maia

O abraço do presidente Jair Bolsonaro ao ministro do STF, Dias Toffoli, foi a gota d’água para Sara Giromini. Tida como líder do grupo 300 do Brasil, que realizou protestos questionáveis contra o supremo, à época presidido por Toffoli, caiu no choro nesse final de semana.

Após ficar presa alguns dias por causa das manifestações de apoio ao presidente e de ataques a integrantes do Congresso Nacional e do STF, o nome de Sara voltou a circular após ela vazar informações sobre a menina de 10 anos, que engravidou após ser estuprada pelo tio.

Tudo indica que, financiada por órgãos apoiados pelo Ministério dos Direitos Humanos (e com dinheiro que pode ter vindo de programas de Michelle Bolsonaro), ela inflamou extremistas para tentar impedir o aborto da criança vítima de estupro.

Bolsonaro pouco comenta sobre o assunto, mas ele e Damares, que insiste que o melhor resultado seria uma cesária, não demonstraram nenhum tipo de apoio para a extremista, que se sentiu abandonada. “Eu sou a filha que Damares abortou”, disse Giromi.

Ela, que como muitos bolsonaristas foi às ruas protestas contra o STF e se sentiu traída como abraço de seu presidente em Toffoli, viu a ficha cair: a batalha que ela diz lutar em nome do presidente não é a mesma que Bolsonaro parece querer travar. A situação parece ter piorada também por ter perdido até mesmo sua vaquinha online: a fonte secou.

E cega, ela parece ainda perdoar seu mito: o problema não seria necessariamente Bolsonaro, mas a forma como os bolsonaristas estão sendo excluídos do governo. Disse ela, tentando se explicar melhor após seu primeiro desabafo, afirmando que não é louca.

O curioso é que seu desabafo nesse final de semana mostrou uma fraqueza contrastante com sua recusa em depor na PF, por exemplo, ou nas ameaças aos ministros do STF. Fraqueza essa que muito bem poderia ser explorada em futuros inquéritos.

Ela, por exemplo, chegou a afirmar que o General Heleno pessoalmente a  proibiu de gritar com a imprensa e gritar “globo lixo”. E se ela entregou o General, poderia entregar muito mais gente.

Confira o lamento:

Políticos e instituições de mais de 13 países estão me procurando para perguntar o que diabos está acontecendo com Bolsonaro.

Por mais que para os brasileiros eu seja uma Zé ninguém, saindo daqui sou MUITO respeitada e prestigiada no cenário político latinoamericano.

Eu simplesmente já não sei mais o que responder pra essas instituições (diga-se de passagem, mais de 500).

Tanto tenho influência na América Latina, que em fevereiro desse ano, membros do Itamaraty me convidarem pra reuniões, de modo a tratar de sempre estar alinhada com o discurso do presidente, para não cometer nenhuma gafe ou complicações internacionais.

Infelizmente, quando cheguei da minha última turnê internacional de palestras e assessorias (Guatemala, El Salvador e México), os ministérios já estavam fechados por conta do coronavírus, logo as reuniões nunca aconteceram.

E agora? Qual a orientação do governo pra Sara Winter?

Aaaah, nenhuma né? Aliás, a orientação é EXONERAR TODOS os que tiveram contato comigo do governo, afinal, a praga do Bolsonaro não é a esquerda, é a loirinha que causou tentando defendê-lo.

Sim, senhores, estão exonerando todos os que já tiveram contato comigo, a começar pelo Ministério da Damares.

Estou cansada. Cansada de ficar calada enquanto vejo o governo que dei minha vida enfiar uma piroca no meu cu.

Damares? Eu sou a filha que Damares abortou.
O ofício que meus advogados protocolaram no Ministério dos Direitos Humanos no dia 17 de Junho sobre a prisão política está jogado lá, nem olharam, tampouco responderam.

Durante os poucos meses que lá trabalhei fui PROIBIDA DE FALAR A PALAVRA “pró vida” dentro da Secretaria da Mulher. Eu fui exonerada, mas as feministas continuam lá a todo vapor. Pq? Até hoje não sei. Não sei responder isso pra vcs. Mas sei dizer que quando chegava uma indagação de movimentos abortistas e até de maconheiros, nós éramos pressionados a responder antes do prazo, pra, sabe como é… não deixar a oposição bravinha conosco.

Bolsonaro? Que inveja eu tenho do Toffoli. Ele pelo menos ganhou um abraço do Bolsonaro.

O que vcs viram do acampamento não foi a ponta do iceberg.

Vocês sabiam que General Heleno me convocou ao Planalto pra COMER MEU CU, dizendo que jornalistas da Época, da Folha, do UOL, estavam mandando e-mails se queixando de que nós, os 300 do Brasil éramos hostis com eles??

Isso mesmo, queridos: General Heleno me proibiu de gritar com a imprensa, de mandá-los embora, de gritar “globo lixo”. Pq, né… coitadinho dos jornalistas que fodem a vida do Bolsonaro todo dia. Eles precisam trabalhar, dona Sara! Não os incomode mais.

Fomos “aconselhados” por deputados da base aliada a não falar mais um ai do Maia ou do STF, pra não atrapalhar, claro.

Obedecemos. Obedecemos de boca calada às poucas broncas que nos eram dadas.

Chegou uma hora que não entendíamos o que estava acontecendo, mas a gente pensava “Deixa ele, ele é estrategista”.

Não reconheço Bolsonaro. Não sei mais quem ele é. O homem que eu decidi entregar meu destino e vida para proteger um legado conservador.

Porque estou escrevendo isso? Pq não aguento mais. Não aguento mais.

Tanta gente fala que sou infiltrada. Talvez eu devesse virar feminista de novo. Feminista, puta, petista, sei lá. Assim pelo menos eu teria atenção do governo, teria sua estima, teria meus direitos reestabelecidos.

Sara era uma militante feminista de esquerda e chegou a castrar um boneco de Bolsonaro, mas mudou de time (e pensa em fazer isso novamente)

Acorda Bolsonaro. Já tá bom de dar surra em quem gosta de você.

E não me venham falar de virar a casaca. O que eu quero é um Brasil livre do comunismo, do aborto… e pelo visto, esse sonho morreu com a minha última vontade de reagir a vida.

Aprendam: nem no governo Bolsonaro existem direitos humanos para os conservadores.

E é isso. É isso que vou contar pra qualquer um fora do Brasil que me perguntar: estou vivendo pela vontade de fazer justiça com todos os que estão presos por defender Bolsonaro. Mas não posso mais contar com ele, pois infelizmente, por “estratégia” se tornou parte do establishment.

Saudades Coronel Ustra “não faço acareação com comunista”.

Obs: eu não quero atirar no Bolsonaro. Eu quero menos “estratégia” e mais conservadorismo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.