
Um comitê do Senado dos Estados Unidos, liderado por republicanos, aprovou nesta quinta-feira (6) um pedido de desacato contra o médico Anthony Fauci. A decisão ocorreu após Fauci optar pelo silêncio durante uma audiência na semana passada sobre a condução da pandemia de covid-19 no país.
A defesa do imunologista considerou as perguntas hostis e o orientou a invocar o direito constitucional de não responder para não se incriminar.
A aprovação do desacato não equivale a uma condenação criminal, mas sinaliza que o Congresso entendeu que Fauci não colaborou com a investigação parlamentar.
O caso será agora encaminhado ao Departamento de Justiça, que avaliará uma possível acusação formal. Fauci, que foi o principal consultor médico do governo norte-americano no combate à pandemia, já atuou sob seis presidentes, de Ronald Reagan a Joe Biden. Antes de deixar o cargo, Biden concedeu um indulto preventivo ao médico, abrangendo suas ações desde 2014.
A audiência, convocada pelo comitê republicano, reavivou teorias conspiratórias e desinformações sobre a pandemia nas redes sociais. Entre elas, voltaram a circular alegações infundadas sobre a eficácia de medicamentos como ivermectina e hidroxicloroquina, além de dúvidas sobre a origem do vírus e a segurança das vacinas. O senador Ron Johnson, por exemplo, acusou Fauci de ignorar estudos sobre os remédios, embora órgãos como a FDA (agência americana) e a Anvisa já tenham se posicionado contra o uso dessas substâncias para a covid-19, por falta de comprovação científica.
A origem exata do coronavírus permanece desconhecida, mas relatório da OMS de junho de 2025 aponta a disseminação zoonótica a partir de morcegos ou por um hospedeiro intermediário como a hipótese mais provável.
Durante a audiência, também ressurgiram fake news sobre as vacinas, como a alegação do deputado brasileiro Nikolas Ferreira sobre o uso de fetos abortados no desenvolvimento dos imunizantes, informação já desmentida pelo Projeto Comprova. Especialistas explicam que algumas vacinas usam células fetais de linhagens laboratoriais estabelecidas, e não tecidos fetais recentes.














