O presidente Michel Temer afirmou na quinta-feira, 1º, que “não tem nada a esconder” do relator da Organização das Nações Unidas (ONU) Juan Pablo Bohoslavsky. No entanto, não permitiu que o mesmo viesse ao Brasil para examinar o impacto das políticas de austeridade para setores como saúde, educação e direitos humanos.
A visita do relator da ONU estava marcada para meados deste mês. Mas o Itamaraty não apresentou qualquer indicação de uma nova data para a missão internacional que tinha como objetivo examinar as políticas sociais do governo brasileiro.
Na segunda-feira, 26, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que o relator faria uma viagem ao Brasil. Mas que, alegando mudanças ministeriais, o governo optou por suspender a missão. Na quarta-feira, 28, Bohoslavsky criticou em público a decisão do governo e pediu que uma nova data fosse organizada.
Nesta quinta, falando diante do Conselho de Direitos Humanos das Nações, o governo de Michel Temer (MDB) contra-atacou. Em um discurso, a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, indicou que o País está comprometido em impedir que “medidas de ajustes econômicos não enfraqueçam os sistemas de proteção social ou minem direitos humanos”.
Mas ela também justificou as medidas adotadas pelo governo. “Uma economia em desordem vai impactar de forma negativa a realização dos direitos humanos. Portanto, sem responsabilidade fiscal, políticas sociais não são sustentáveis”, afirmou.
Apesar da explicação, a embaixadora brasileira continuou sem oferecer publicamente uma nova data para a visita em seu discurso. “Deixe me esclarecer que a visita teve de ser adiada, não cancelada”, afirmou. Isso, segundo ela, por causa de uma mudança de ministérios que poderiam atrapalhar as reuniões e consultas com as autoridades brasileiras.














