
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que a Venezuela, sob administração norte-americana, passará a comprar exclusivamente produtos fabricados nos EUA para abastecer seu mercado interno.
A medida, divulgada em suas redes sociais nesta quarta-feira, 7 de janeiro, complementa a estratégia de controle total sobre as exportações petrolíferas do país e consolida a transformação de sua economia em um protetorado dos Estados Unidos.
“Acabei de ser informado de que a Venezuela comprará SOMENTE produtos fabricados nos Estados Unidos com o dinheiro que receberá do nosso novo acordo petrolífero”, afirmou Trump.
Segundo ele, as compras incluirão “produtos agrícolas americanos, medicamentos, dispositivos médicos e equipamentos fabricados nos Estados Unidos para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia da Venezuela”. O presidente classificou a decisão como “uma escolha sábia e muito boa” para ambos os povos.
A imposição ocorre após Trump declarar que a Venezuela entregaria entre 30 e 50 bilhões de barris de petróleo sancionado aos EUA e que seu governo controlaria a venda do combustível por tempo “indefinido”. Nesta quarta, o vice-presidente JD Vance reforçou na Fox News que o país só poderia vender seu petróleo se isso servisse aos interesses nacionais dos Estados Unidos.
Contexto econômico venezuelano
A economia venezuelana, que chegou a ser o sexto maior destino das exportações brasileiras – principalmente de alimentos e produtos de saúde –, já estava devastada por uma crise prolongada. Sob o impacto de mais de 500 sanções internacionais (300 delas dos EUA), o Produto Interno Bruto (PIB) do país encolheu cerca de 75% entre 2014 e 2021, com a inflação superando 6.000% e a produção de petróleo caindo para um terço de seu auge. Após um leve crescimento de 5% em 2023, a dívida externa é estimada em US$ 150 bilhões.
Agora, com a imposição de um monopólio comercial norte-americano sobre importações e exportações, a dependência econômica da Venezuela em relação aos EUA se torna total, encerrando décadas de diversificação de parcerias e marcando um capítulo inédito de subordinação econômica no continente.














