29 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

‘Uma mão na direção outra no carinho’, diz sem teto que fez sexo com mulher de personal

Entrevista de Givaldo, o sem teto, ao jornal Metropoles virazlizou nas redes sociais. Ele disse que a mulher o chamou para namorar dentro do carro dela

Givaldo:

“Sou a única vítima de um convite maravilhoso, do qual vivi todos os prazeres possíveis”. Assim definiu, por uma das vezes, o morador de rua Gilvaldo Alves, de 58 anos, a situação vivida e protagonizada por ele há duas semanas, em Planaltina (DF), quando acabou espancado após ter sido flagrado pelo personal trainer Eduardo Alves de Sousa, de 31, fazendo sexo com sua esposa, Sandra Mara Fernandes, de 33, no interior do carro da moça.

Em entrevista dada ao portal Metrópoles, nesta quinta-feira (24), ele conta com detalhes sobre o encontro com a comerciante.

Ele abusa de um bom vocabulário — se diz amante dos livros —, mistura dados reais com aparentes devaneios e proporciona momentos curiosos antes de falar sobre o caso de repercussão nacional, pedindo um minuto de silêncio pela guerra Rússia e Ucrânia e pelos mortos da Covid-19. Demonstra preocupação até com o aquecimento global.

— O mundo ele está em um conflito tão grande, eu pensava que a Terceira Guerra (Mundial) seria aquela geleira do Polo Norte se deslocando devido ao aquecimento global, apesar da consciência das Nações Unidas de que é irreversível, porque só aumenta, e aí veio esse negócio da Covid-19, a (variante) ômicron, e agora a guerra (entre Rússia e Ucrânia) levando milhares de condescendentes (sic) nossos… eu gostaria de oferecer 1 minuto de silêncio — disse.

“Uma mão na direção, outra no carinho”

Gilvaldo também não poupou adjetivos ao falar da amante, “uma bela flor, de voz doce”. Quando decidiu narrar sobre a noite em que ele e Sandra Fernandes se encontraram, então, a coisa esquentou. Ele conta que passava pela rodoviária da cidade, quando foi abordado por ela que, do carro, disse que queria namorar com ele.

— Eu disse: “moça, você não está entendendo, eu sou morador de rua e não posso pagar nem um hotel”. Então eu pude ouvir daquela boca doce: “Não pode ser no meu carro?”. Então eu disse: “Agora você me calou. Se você nunca calou um homem, você conseguiu agora. Se você me quer, me leva para algum lugar.

Dali em diante, ele conta que entrou no veículo, onde eles já começaram a trocar carícias.

— Era uma mão na direção e outra no carinho.

“Era a coisa mais maravilhosa e linda no corpo de mulher”

O homem diz ter alertado, então, que aquele era um lugar movimentado. Foi quando eles teriam se dirigido ao local onde o personal trainer, marido da mulher, os encontraria.

— Eu disse: “vamos deitar o banco, então, para melhorar o espaço? Bom, se você realmente me quer, tire a roupa. Ela tirou a roupa e era a coisa mais maravilhosa e linda no corpo de mulher. Perfeita, realmente perfeita. Quero dizer para ela: parabéns para ela pelo que ela é — descreve. — Então, começamos a brincadeira: beijos, da boca, orelha, pescoço, descendo. Eu nunca vi igual.

Polícia investiga o caso para saber se relação do sem-teto com vendedora foi consensual ou se houve abuso, aproveitando de fragilidade psicológica, como acusa o marido, que pode responder pelas agressões. Homem foi atacado quando estava nu e caído no chão.
Polícia investiga o caso para saber se relação do sem-teto com vendedora foi consensual ou se houve abuso, aproveitando de fragilidade psicológica, como acusa o marido, que pode responder pelas agressões. Homem foi atacado quando estava nu e caído no chão.

“Faria qualquer homem amante das mulheres feliz”

Givaldo parabeniza a moça, capaz de saciar “qualquer amante das mulheres”, e ainda alerta para que ela não repita isso novamente. Ele diz que alia dor e prazer quando lembra daquela noite.

— Sou um amante das mulheres, tenho certeza que delas viemos, para elas vivemos, com elas sofremos e depois morremos. Se for ruim com elas, vai ser muito pior (sem elas). No caso dela, foi maravilhoso. Só que a dor é uma coisa que só me faz (inaudível) porque uma coisa está associada à outra: a dor ao prazer. Quero dar os parabéns, você é uma mulher que faria qualquer homem amante das mulheres feliz. Só não faça essa loucura de parar as pessoas, porque o sofrimento que me causa, vai me deixar sozinho para sempre.

“A fumaça da queima daquele amor”

Ao ser questionado sobre quanto tempo teria durado a relação com a comerciante, esposa do personal, o sem-teto diz não se lembrar muito bem, e estima cerca de 1 hora dentro do carro. Ele usa de um tom poético até para narrar o momento em que os dois são surpreendidos por Eduardo Alves de Sousa.

— Estava de noite, totalmente escuro. Não dava para ver nada. Os carros, quando passava, refletiam um  pouco. Mas a fumaça dentro do carro, da queima daquele amor… acontece que, do nada, uma mão deu um murro na janela, no lado do motorista  — diz. — Aí eu falei para ela: “Vai, vai,vai”, e ela só deitou no banco e eu perguntei “moça que lugar é esse que você me trouxe?”, e ela disse que era onde ela morava.

“Nenhum (soco) perdido ao léu”

Gilvaldo conta que não ouviu a voz do homem em nenhum momento. Curiosamente, afirma que o carro era vermelho, apesar de as imagens mostrarem que era branco. Ele também diz ter trocado socos com o personal, enquanto as câmeras também mostram algo bem diferente: ele espancado ao chão.

— Eu recebi uma sessão de socos tão violenta — conta. — O ar esfumaçado já tinha se esvaído quando eu abri a porta. Quando ele abriu a outra porta, eu só vi mãos. Nossos punhos se encontraram, uma sequência de vai e volta, vai e volta, nenhum perdido ao léu.

“Fui muito feliz até aquele instante arrebatador”

O sem-teto diz sentir-se preso aquele momento: tanto pela dor, quanto pelo prazer que lhe foi proporcionado.

— Eu fui muito feliz até aquele instante arrebatador em que passei a ser vítima da agressão e dor da qual ainda sinto. Nunca mais eu vou conseguir me libertar, nem do prazer que a vida me proporcionou através dela, como igualmente da dor que a vida através de outra pessoa que apareceu me fez sentir.

‘Situações como essa podem acontecer. Com esse bobo aqui, não”: recado a personal

Questionado sobre o que faria se olhasse nos olhos de seu agressor, Gilvaldo, então, mandou um recado ao personal trainer, onde disse que ele precisa aprender a “ter amor ao próximo”. Ele ainda provocou Eduardo no fim da fala, sugerindo que uma situação como essa não aconteceria com ele.

— O senhor deveria rezar para Deus, pedir sabedoria para agir num momento de desespero, porque o senhor põe tudo a perder e se expõe usando mentiras. O poder é uma coisa que Deus dá ao homem ao qual ele pode ajudar as pessoas. Quando o senhor se expõe numa coisa em que o senhor enfia os pés pelas mãos, então o senhor esqueceu de amar ao próximo além de si mesmo. Então, o senhor nunca aprendeu a amar a Deus. Reflita um pouco, porque situações como essa que aconteceu, podem acontecer. Com esse bobo aqui, não, mas pode acontecer com outros.

“Enfiou os pés pelas mãos e pôs a carroça na sua frente”

Ironicamente, Gilvaldo ainda criticou Eduardo por, segundo ele, ter criado toda a situação que o está impedindo de trabalhar. Ele ainda dá “parabéns” ao personal trainer, e diz que a esposa precisa de carinho e atenção.

— Agora, com tudo isso, você acabou de me tirar dos serviços pesados que eu enfrentava: carga , descarga, cavar buraco — diz, dirigindo-se ao personal trainer. – Mas parabéns para você: você enfiou os pés pelas mãos e pôs a carroça na sua frente. Parabéns, cuide de sua esposa, ela precisa de carinho e cuidado.

Polícia Civil investiga a agressão; suspeito é um personal trainer
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“São ossos do ofício”

– Eu não fiz nada para contribuir para que isso acontecesse. Mas tem hora que parece que você tem que se doar para coisas da vida. E, realmente, são ócios do ofício […] Nunca mais vou conseguir me libertar, nem do prazer que a vida me proporcionou através dela, nem da dor que a vida, através de outra pessoa que apareceu, me fez sentir.

O caso é investigado em sigilo pela 16ªDP de Planaltina (DF). Eduardo Alves de Sousa, marido de Sandra, afirma que Gilvaldo se aproveitou de um suposto estado de fragilidade mental de sua esposa para ter relações sexuais com ela. Tanto o sem-teto, quanto a mulher, afirmaram que a relação foi consensual. O personal não foi indiciado pelas agressões.