28 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Expresso

Usina Uruba: Justiça deve decidir futuro de 5 mil empregos nesta quarta-feira

Renovação de contrato de arrendamento está emperrada e tem inviabilizado investimentos

Usina Uruba: Foto Assessoria

Trabalhadores que vivenciaram o drama do fechamento da Usina Uruba, em 2013, e a alegria de voltar a trabalhar, tempos depois, graças ao contrato de arrendamento entre a Cooperativa Agrícola do Vale do Satuba (Copervales) e a massa falida da Laginha Agro Industrial S.A., que pertencia ao Grupo João Lyra, vivem novamente assombrados, diante da ameaça de ficarem sem trabalho.

Embora a Copervales tenha se mostrado viável e o arrendamento da Usina Uruba tenha garantido um investimento de cerca de R$ 46 milhões no parque industrial (segundo dados de assessoria), a renovação do contrato está travada, o que pode inviabilizar novos investimentos e, consequentemente, o funcionamento da indústria e o emprego de aproximadamente 5 mil pessoas.

Uma audiência será realizada pela comissão de juízes responsável pelo processo falimentar do grupo JL, nesta quarta-feira (25) e nela deverá ser decidido o futuro do empreendimento. De acordo com informações da assessoria, para que a Usina Uruba siga produtiva, será necessário um novo investimento de aproximadamente R$ 30 milhões.

Na safra 2021-2022, a Copervales bateu recorde de produção, ultrapassando 856 mil toneladas de cana moída, mas o atraso no processo de renovação do contrato de arrendamento poderá trazer reflexo negativo na próxima safra de cana-de-açúcar, cujo ciclo se renova com o plantio de novas mudas. Sem a garantia de continuidade, os produtores rurais cooperados temem não ter retorno do alto investimento necessário.

O colaborador Marcos Lima, que vivenciou o fechamento da Uruba, 9 anos atrás, teme que, devido à insegurança jurídica que tem permeado o processo de renovação do arrendamento, a situação se repita. Em 2013, ele se viu desempregado e sem perspectivas de trabalho no município de Atalaia, região onde está localizada a usina hoje administrada pela Copervales.

“Fiquei um ano sem trabalhar. Quando anunciaram que um grupo de pessoas estava se reunindo para reativar a Usina foi como um sopro de esperança nas pessoas da cidade. Tenho uma mãe com 74 anos que vive de uma pensão de um salário mínimo. Orei para que Deus iluminasse as mentes de todos que estavam envolvidos no processo de reabertura e fiquei muito feliz porque deu tudo certo. Hoje a usina no formato cooperativa tem demonstrado que tem uma administração séria, eficiente e produtiva”, relata Marcos Lima.

A colaboradora Andreza Gomes acrescenta que o fechamento de uma indústria como a Usina Uruba pode acarretar sérios problemas econômicos e sociais para os pequenos municípios da região. “Não atinge apenas quem trabalha nela, como também toda a cidade e a região. Não é fácil para um pai de família ter que ir para fora do estado à procura de emprego”, conclui ela, destacando que espera que os entraves sejam solucionados em breve.