20 de outubro de 2021Informação, independência e credibilidade
Maceió

Rodoviários da veleiro paralisam atividades; MPT realizará nova audiência

Instituição busca o pagamento de salários e encargos a cerca de 600 trabalhadores afetados

atualização 7h: Funcionários da empresa Veleiro paralisaram, novamente, as atividades. Desta vez, na manhã de terça (21), são 15 linhas em Maceió que ficam sem serviço de ônibus. Em frente à sede da empresa, no Trapiche da Barra, os trabalhadores cobram salários atrasados e o pagamento de outros benefícios. Essa é a segunda paralisação da empresa neste ano.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) voltará a realizar nova audiência entre trabalhadores do transporte rodoviário e setor patronal, até a próxima semana, para solucionar o atraso de salários e outras verbas que afetam cerca de 600 empregados da Auto Viação Veleiro.

As averiguações iniciais, que tratam de encargos trabalhistas, assédio moral e condições de trabalho, estão a cargo de três procuradores.

A procuradora do MPT Adir de Abreu, responsável por investigar os atrasos salariais e de outros encargos devidos, deverá convocar representantes da Veleiro e dos trabalhadores para buscar uma proposta satisfatória que resulte na mediação do conflito.

Caso não haja uma solução por parte da empresa, o órgão trabalhista deverá ajuizar ação civil pública para buscar a reparação dos danos na justiça.

“De imediato, iremos discutir com a empresa e os trabalhadores uma forma de regularizar a situação de inadimplência salarial, mais grave para o trabalhador e, em consequência, para a sociedade. Caso contrário, iremos adotar as medidas judiciais cabíveis para sanar o problema”. Adir de Abreu, procuradora do MPT.

Paralisação

Nesta segunda-feira, 20, na primeira reunião realizada no MPT após a paralisação dos trabalhadores, o Sindicato dos Empregados em Transportes Rodoviários (Sinttro/AL) informou que a Veleiro deixou de pagar aos empregados:

  • os salários da segunda quinzena de dezembro;
  • o tíquete alimentação de janeiro;
  • o terço constitucional referente a férias

Além disso, a empresa não repassou a pensionistas os valores de pensão alimentícia descontados das contas dos empregados. Ainda segundo relatos dos trabalhadores, a empresa deixou de efetuar os depósitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Há casos de trabalhadores sem depósito há seis anos.

Assédio

Além da denúncia da falta de pagamento de obrigações trabalhistas, os funcionários da Veleiro denunciaram que foram vítimas de assédio moral.

De acordo com relatos, a gerência da empresa vem tratando os rodoviários de forma abusiva e, em uma das situações, dirigiu-se a empregados utilizando palavras com teor pejorativo. A denúncia de assédio moral na Veleiro será acompanhada pelo procurador do MPT Matheus Gama.

Já a procuradora Larah Rebelo dará andamento às denúncias feitas sobre as condições precárias de trabalho de motoristas e cobradores. Os trabalhadores informaram que laboram diariamente em veículos sucateados.