25 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
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A maluquice é livre, mas não pode ameaçar a saúde pública

Por Wagner Melo, jornalista

No início do século 20, uma a cada cinco crianças morria de alguma doença infecciosa antes dos cinco anos de idade. Também no passado, doenças relativamente simples causavam milhares de mortes. O surgimento dos antibióticos e das vacinas foi um avanço formidável na prevenção e tratamento destas moléstias.

Mas parece que tem gente com saudade dos tempos em que a varíola, o tifo, o sarampo, a gripe espanhola, a caxumba e a tuberculose vadiavam no mundo. E nem tem amor aos próprios filhos, imagine com o dos outros? Eles são os adeptos dos grupos antivacina.

Em tempos de terraplanismo (ideia de que a Terra seria um disco plano), temos que engolir pessoas que, por convicções baseadas em estudo científico equivocado e mal intencionado (patrocinado por um escritório de advocacia que queria extorquir a indústria farmacêutica), publicado nos anos 80 em uma respeitada revista científica norte-americana, não vacinam suas crianças.

É uma escolha que faz mal não só a eles, mas a outras pessoas, porque sem imunização abre-se uma janela para os vírus se propagarem. Junte-se a isso o desleixo de gente que não vacina seus filhos porque, apesar das amplas campanhas de conscientização, acreditam que não há risco devido à falta de registros destas doenças.

Mas não nos enganemos. O sarampo, considerado extinto no país desde 2016, matou um menino de 7 meses que ainda não havia sido vacinado. O caso, registrado no dia 28 de junho último, foi confirmado pela Secretaria de Saúde de Manaus (AM). A morte de outra menina de nove meses está sob investigação, segundo informa a Agência Brasil. Seriam três mortes, este ano, no território nacional.

No Rio de Janeiro, há 18 casos de sarampo sendo investigados. Em todo o Brasil, foram registrados 995 casos desta doença no período de 1º de janeiro a 23 de maio deste ano. E adivinhem quem está dando as caras após 20 anos de erradicação? A poliomielite. A rubéola congênita também aderiu à onda revival.

Enquanto isso, não conseguimos atingir as metas de vacinação. Os motivos são a falta de responsabilidade de uns e a ignorância de miolos-moles que aderem a correntes ideológicas malucas. Uma necessidade de autoafirmação destrutiva, aliás, se fosse autodestrutiva, seria bom. Mas essas ideias erradas deixam em risco eu, você e toda a sociedade, principalmente, os mais indefesos.