
Renan Filho, governador de Alagoas, foi o único governador da Região Nordeste convidado para a reunião do presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto, com representantes dos poderes para a formação de um comitê anticovid.
E com essa perspectiva de fora, o alagoano, em entrevista ao UOL, disse ter sentido falta de convicção na nova atitude de Bolsonaro, durante a reunião que teria sido marcada por clima de constrangimento geral:
“É por conta dessa necessária inflexão, porque Bolsonaro não está sendo capaz de fazer o que o Brasil que precisa. As falas dos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira, foram para defender a sociedade, mas eles são aliados constrangidos: defendem as medidas, mas vão só até um certo ponto. O Brasil precisa, mas não senti essa mudança do presidente”. Renan Filho, governador de Alagoas.
Após a reunião, Renan Filho detalhou que o presidente segue com problemas quando o assunto é vacina e isolamento social, além de ainda não entender completamente todo o escopo da situação de caos nos hospitais.
“Falei na reunião que, enquanto estávamos ali, havia 30 mil brasileiros em leitos UTI e 150 mil hospitalizados. Nós estamos vivendo uma situação excepcionalíssima, em que se interna mais do que todas as outras doenças reunidas. Então é preciso de um esforço nacional de forma transparente, conduzido pelo ministro”. Renan Filho.

O alagoano falou ainda que o presidente insiste no discurso de “doença nova”, sem se atentar que há uma curva de aprendizado significativa sobre suas formas de tratamento e que a ciência já sabe mais o que fazer.
Além dos chefes do Congresso, participaram do encontro os governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; Ronaldo Caiado (DEM), de Goiás; Wilson Lima (PSC), do Amazonas; Ratinho Júnior (PSD), do Paraná; e Marcos Rocha (PSL), de Rondônia.
Ministério da Saúde
Além de ressalvas quanto a Bolsonaro, Renan Filho detalhou que pediu um ministro da Saúde com discurso mais técnico, assim como Paulo Guedes o faz na Economia. Mas nem mesmo o novo titular da pasta, Marcelo Queiroga, comandará o comitê para contenção da pandemia.
“O presidente sugeriu que fosse o Rodrigo Pacheco que fizesse a interlocução com os governadores. Acho que essa interlocução não deve ser terceirizada. Até porque o Senado já faz, o Davi Alcolumbre já fazia; mas não cabe a ele o encaminhamento das coisas”. Renan Filho.














