27 de outubro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Arthur Lira não vetará Bolsonaro no PP mesmo com Centrão cantando derrota em 2022

Deputado diz que 90% dos filiados querem a entrada do presidente da República, sem partido desde a saída do PSL

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pode até aparentar resistência contra a filiação de Jair Bolsonaro (sem partido) em seu partido, mas para pessoas próximas ele já diz que não vai barrar a entrada do presidente do Brasil.

Segundo informações da Folha, o líder do Centrão, que hoje tem o governo Bolsonaro na palma das mãos, já confidencia a aliados que “cerca de 90% do partido quer o presidente da República na sigla”. E para evitar atritos, não fará nada contra isso.

A única ressalva é que o deputado alagoano quer autonomia para escolher os candidatos que disputarão uma vaga no Senado pela legenda em 2022.

Mais empolgado que Lira, o presidente do PP, Ciro Nogueira, atual ministro da Casa Civil, comprometeu-se a dar influência ao mandatário na sigla. Ou seja: quer dar para Bolsonaro o poder de escolha dos candidato ao senado nos estados considerados chave para ele, como Rio de Janeiro e Distrito Federal.

Lideranças calculam que, somando os votos de legenda com a força de puxadores de voto como os deputados Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, ambos do PSL, mais candidatos certos a migrar para o PP junto com o ex-capitão, o partido conseguiria aumentar em até um terço a sua bancada na Câmara, hoje de 42 parlamentares.

Candidato fraco

Bolsonaro, no entanto, não é unanimidade e enfrenta até certa resistência, principalmente no núcleo do PP concentrados no Nordeste, mais precisamente Bahia, Paraíba e Pernambuco.

Isso porque os filiados avaliam que Bolsonaro está mal nas pesquisas de intenção de voto, com menos chances de ser reeleito. Nestes estados, há até hipótese de se aliarem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) localmente.

Na mais recente pesquisa DataFolha, Lula oscilou de 46% para 44% e Bolsonaro, de 25% para 26%. Isso com João Dória na disputa, caindo de 5% para 4%. Ciro Gomes segue em terceiro (de 8% para 9%), tudo dentro da margem de erro.

O petista foi de 46% para 42%, e Bolsonaro se manteve em 25% quando a simulação coloca Eduardo Leite como candidato do PSDB, que oscilou de 3% para 4%. A diferença no cenário com o gaúcho é que Ciro Gomes (PDT) pulou de 9% para 12%.

Nem mesmo em pesquisa interna Bolsonaro se salva: um levantamento que não foi tornado público e teve a encomenda de aliados do presidente, com a intenção de acalmar os ânimos e mostrar que os institutos estavam exagerando a favor de Lula, teve o efeito contrário.

Leia mais: Bolsonaro fica desconcertado com pesquisa interna para 2022: “Vou perder?”

O DCM teve acesso a parte dos resultados da pesquisa interna encomendada pelos bolsonaristas. Nela, Bolsonaro aparece com 27% das intenções de voto e Lula com 39%.

O que mais preocupa no primeiro turno é o petista aparece no levantamento com 44% dos votos válidos, colocando medo dele vencer já no primeiro turno.

Para representantes do PP, uma das principais siglas do bloco, a única forma de o ex-capitão chegar “minimamente competitivo” na disputa é de crescer entre o eleitorado das chamadas classes D e E, onde estão os que vivem entre a pobreza e a extrema pobreza.