28 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Bolsonaro admite em live que operações do BNDES no governo PT foram legais

Presidente mais uma vez diz que “não houve caixa-preta”, apesar de prometer há anos um comprovante de irregularidades

Em mais uma live de quinta, o presidente Jair Bolsonaro disse ontem (27), ao lado do atual presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que as operações realizadas durante do governo do PT foram legais.

Bolsonaro antes prometia que apresentaria relatórios do banco comprovando irregularidades em bancos oficiais, estatais e ministérios nos últimos 20 anos, mas acabou admitindo que não existem ilegalidades.

“Tudo foi legal. Não houve caixa-preta. Caixa- preta era aquele período, onde não podia se divulgar nada, inclusive os contratos com outros países por decisão judicial”. Jair Bolsonaro, presidente.

Na live, Bolsonaro estava ao lado do presidente da estatal, Gustavo Montezano,  condenado por arrombar portões, durante uma festa com Eduardo Bolsonaro.

Ele entrou no lugar de Joaquim Levy, que pediu demissão após não conseguir abrir a tal caixa-preta da instituição, promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro.

O presidente dizia que o dinheiro público era desviado para países e organizações ligadas ao Foro de São Paulo. O grupo, criado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em 1990, é integrado por organizações e partidos de esquerda na América Latina e no Caribe.

No primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro, o BNDES desembolsou R$ 48 milhões em uma auditoria nos contratos de empréstimos do banco a empresas e governos estrangeiros. A inspeção, no entanto, não encontrou indícios de irregularidades.

Apesar de não divulgar fatos novos, ele repetiu que, se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltar a comandar o Palácio do Planalto, “todos os crimes ocorridos durante a gestão do petista irão se repetir”. Aparentemente, nenhum crime do BNDES.

Leia mais: Bolsonaro fala de ‘injustiça contra Lula em um processo ou outro’ e mente sobre o ‘desvio trilionário’ do BNDES

Charutos

Em um momento nada raro de desinformação, com alarde Bolsonaro disse que para a construção do Porto de Mariel, em Cuba, o governo brasileiro aceitou charutos como garantia, caso o governo cubano não conseguisse pagar o empréstimo.

A dívida, corrigida pela inflação, é de R$ 3,6 bilhões. “Você imagina, R$ 3,6 bilhões em charuto? […] É muito amor por Fidel Castro. Com toda certeza”, ironizou Bolsonaro.

Claro, não é correto dizer que Cuba daria charutos ao Brasil em caso de inadimplência. O acordo era que, caso necessário, Cuba teria de dar ao Brasil os valores recebíveis de vendas de charutos domésticos.

O governo brasileiro poderia, então, penhorar as vendas de charutos. Cuba faturava cerca de US$ 400 milhões por ano com a venda do produto.

Até setembro de 2018 Cuba havia pago R$ 293 milhões da dívida com o BNDES. A partir de então, surgiu inadimplência nos pagamentos e o banco acabou acionando o seguro do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), uma medida para cobrir calotes em operações de empresas nacionais fora do país.