27 de outubro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Bolsonaro chega a NY sob protestos e é barrado em restaurantes por não ser vacinado

Manifestação contra o presidente fez com que sua comitiva entrasse no hotel pela porta dos fundos

O presidente Jair Bolsonaro desembarcou ontem (19) em Nova York para participar na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). A previsão é que seu discurso ocorra na terça-feira (21).

Manifestantes foram até a porta do Hotel Intercontinental Barclay, onde Bolsonaro está hospedado. Ele entrou no local pela porta dos fundos. As faixas contra o governo pediam “Fora Bolsonaro” e “Fora militares”.

Com as rígidas restrições em locais públicos de Nova York por causa da pandemia de covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus ministros tiveram a primeira refeição em solo americano no meio da rua.

Diplomatas e seguranças esperavam o presidente na entrada, mas informaram à imprensa que a comitiva presidencial havia entrado por uma porta traseira por determinação do Serviço Secreto americano.

A outros hóspedes que entravam no hotel, o pequeno grupo de manifestantes gritava em português e inglês “Bolsonaro genocida” e “criminoso”. Não havia apoiadores do presidente no local.

A comitiva presidencial brasileira conta ainda com a esposa do presidente, Michelle Bolsonaro; o filho dele, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP); e os ministros Carlos Alberto França (Relações Exteriores), Paulo Guedes (Economia) e Anderson Torres (Segurança Pública), entre outros.

Agenda

Antes da reunião global, Bolsonaro vai conversar com autoridades mundiais. Ele deve ter hoje (20) um encontro com o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson. À noite, vai a uma recepção oferecida pelo representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas.

No dia seguinte, na terça, Jair Bolsonaro se reunirá com o presidente da Polônia, Andrzej Duda, e com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Duda é acusado formalmente pela UE de minar a independência do Judiciário de seu país.

Após os encontros, o presidente irá abrir os discursos na Assembleia Geral. Ele retornará ao Brasil na terça-feira à noite.

Vacinação

Na semana passada, o presidente da Assembleia Geral, Abdulla Shahid, enviou uma carta aos Estados-membros endossando a obrigatoriedade de apresentação de certificados de vacinas pelos líderes para acessar o prédio da ONU. A regra seria a mesma imposta pela prefeitura de Nova York aos habitantes da cidade que querem frequentar um Centro de Convenções.

Se fosse instituído, o protocolo poderia barrar Bolsonaro, que até o momento não se vacinou. A decisão, porém, foi mudada pelos estados-membros, que decidiram deixar em vigor apenas o “sistema de honra”, no qual os mandatários declaram, sem checagens, se estão com sintomas ou tiveram contato direto com infectados.