26 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Bolsonaro diz que no Brasil não houve ditadura, só alguns “probleminhas”

Presidente afirmou que o Exército é quem garante a democracia no Brasil na luta contra o socialismo

Em entrevista ao jornalista José Luiz Datena no programa Brasil Urgente, na tarde desta quarta (27), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) resolveu afirmar que não houve ditadura no Brasil.

O presidente, que determinou ao Ministério da Defesa a realização de “comemorações devidas” relacionadas ao 31 de março de 1964, foi além e categorizou o regime, que durou o ano de 1985, como um casamento que teve alguns “probleminhas”

“Temos de conhecer a verdade. Não quer dizer que foi uma maravilha, não foi uma maravilha regime nenhum. Qual casamento é uma maravilha? De vez em quando tem um probleminha, é coisa rara um casal não ter um problema, tá certo?”. Jair Bolsonaro.

Bolsonaro também afirmou durante a entrevista que o processo de entrega do poder pelos militares para os civis é um exemplo da inexistência de uma ditadura no Brasil durante o governo militar.

“E onde você viu uma ditadura entregar pra oposição de forma pacífica o governo? Só no Brasil. Então, não houve ditadura”. Jair Bolsonaro..

E ele não perdeu a oportunidade elogiar a batalha dos militares contra o socialismo, afirmando que o Exército Brasileiro é, em última instância, o órgão que garante a democracia no Brasil:

“Nós militares somos o último obstáculo para o socialismo. Qualquer país do mundo, quem decide, em última análise, se vai ser ditadura ou democracia, não vai ser a OAB, o conselho federal de Medicina, ou a CNI”. Jair Bolsonaro.

Mais cedo, uma das autoras do impeachment de Dilma, a agora deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), criticou o retrocesso do presidente: “Ele não consegue sair de 64 e as coisas não caminham bem. Não é possível que o Presidente não perceba que não dá para governar com a cabeça em 64”!

Você pode ver a entrevista na íntegra aqui:

Comissão da Verdade

O relatório final da Comissão Nacional da Verdade, apresentado em 2014, afirmou que 423 pessoas foram mortas ou desapareceram no período que vai de 1964 a 1985.

Segundo a comissão, que iniciou os trabalhos em 2012, os crimes foram resultado de uma política de Estado, com diretrizes definidas pelos cinco presidentes militares e seus ministros, e não abusos cometidos por agentes isolados. A comissão pediu a punição de 377 pessoas pelos crimes cometidos pelo regime militar.

Entre 1964 e 1985 foram punidas, com perda de direitos políticos, cassação de mandato, aposentadoria e demissão, 4.841 pessoas. Além disso, 513 deputados, senadores e vereadores perderam os mandatos.

Em 1968, o AI-5 (Ato Institucional nº 5) inaugurou a fase mais repressiva dos 21 anos de ditadura militar. Nos primeiros dois dias de vigência da medida, presos políticos processados nas auditorias da Justiça Militar denunciaram mais de 2.200 casos de tortura.