Bolsonaro quer que Eduardo ‘cale a boca’ para não atrapalhar negociações

Mesmo assim, golpista auto-exilado intensifica ataques
Reprodução

O ex-presidente Jair Bolsonaro tem pedido a interlocutores que convençam seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a “fechar a boca” e evitar declarações que possam prejudicar as negociações políticas em torno de uma possível anistia ou redução de penas. A mensagem, no entanto, não está sendo atendida. Eduardo, que está nos Estados Unidos, intensificou seus ataques ao Centrão, ao PL e ao STF, afirmando acreditar que o pai está “refém” e não tem condições de negociar a própria soltura.

A comunicação entre os dois é feita por intermediários, como o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-SP), já que uma determinação do ministro Alexandre de Moraes (STF) proíbe o contato direto. Ambos são investigados no inquérito que apura suposta coação à Justiça. Eduardo e seu aliado Paulo Figueiredo defendem que Jair Bolsonaro, por estar preso e doente, é uma “vítima incapaz de decidir” e estaria sendo pressionado a apoiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2026, além de abrir mão da bandeira da anistia ampla.

Nesta quinta-feira (25), Eduardo escreveu em sua conta no X que “a PGR me denuncia [por] coação, mas quem está sob coação é o meu pai”. Ele acusa grupos políticos de tentar “exterminar a direita” e promete disputar a Presidência mesmo sem o aval paterno. Em ataques recentes, chamou ministros do STF de “mafiosos” e criticou publicamente a cúpula do PL, seu partido. A postura radical do deputado é vista como um risco às estratégias de defesa do ex-presidente e ao frágil equilíbrio político que sustenta as tratativas sobre seu futuro jurídico.

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