Campanha de Flávio Bolsonaro quer ‘abafar’ briga com a madrasta Michelle

Aliados do senador avaliam que melhor é 'virar a página' sem alimentar polêmica; irmãos de Flávio optaram por silêncio; Michelle disse que foi 'humilhada' e que 'não tem raiva de ninguém'

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta “abafar” a crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro após ela divulgar vídeos bombásticos nesta quarta-feira (24) acusando o enteado de humilhação e menosprezo.

Aliados do pré-candidato avaliam que o melhor é “virar a página” sem alimentar a polêmica. Flávio gravou um novo vídeo nesta quinta (25) repetindo pedido de desculpas e quer encerrar o assunto. Os irmãos Eduardo, Carlos e Jair Renan optaram pelo silêncio (Eduardo postou vídeos do jogo do Brasil; Carlos fez postagens críticas a Lula e Gilmar Mendes; Jair Renan se limitou a retuitar o pedido de desculpas de Flávio).

A única referência foi a repostagem de Fernanda Bolsonaro (mulher de Flávio), que disse que o marido é “um homem leve, respeitoso, carinhoso” e que “as pessoas podem discordar dos caminhos, mas eu nunca tive dúvidas sobre a sinceridade desse propósito”. Aliados do pré-candidato festejaram o fato de Michelle, após a repercussão, ter publicado uma nova mensagem dizendo que não tem “raiva de ninguém”.

Um interlocutor de Flávio afirmou que a ideia agora é tentar uma reaproximação para evitar turbulências futuras. Um aliado disse acreditar que o pedido de desculpas foi suficiente para acalmar a briga, e um terceiro afirmou que os irmãos Bolsonaro acreditam que Michelle sofrerá desgaste ao “dividir a direita”, e que o melhor é deixá-la se desgastar sozinha.

A briga ocorreu em dezembro, após Michelle criticar a aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará e apoiar Eduardo Girão (Novo). Michelle disse que Flávio a criticou nas redes antes de falar com ela, não atendeu o telefone e, ao retornar, foi ríspido, dizendo que ela “não entendia nada de política”.

Ela afirmou que Flávio vai à casa dela toda semana, mas não a procurou para conversar, e que ela se recolheu desde então. Michelle e Flávio dividiriam palanque no dia 10 no Ceará, mas bolsonaristas ligados a André Fernandes e Ciro passaram a plantar notícias contra ela para que fosse vaiada, o que motivou os vídeos.

Michelle disse que os demais enteados repetiram os ataques de forma “combinada, premeditada”. Ela criticou Ciro (que chamou Bolsonaro de “ladrão de galinhas” e os filhos de “ovos de serpentes nazistoides”) e defendeu o apoio a Girão e à vereadora Priscila Costa. A senadora Damares Alves republicou os vídeos e elogiou Michelle. Flávio foi escolhido para concorrer à Presidência por Bolsonaro; Michelle deve disputar o Senado no DF.

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