27 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Confusão e bate-boca: Senado deixa para este sábado votação da presidência

Senadores votaram para que votação fosse aberta, irritando o senador Renan e principalmente Kátia Abreu

Foram horas de impasse, bate-bocas sobre o regime da casa, dedos na cara e até mesmo confissões de adultério do pai na infância, mas não foi definido nesta sexta-feira (1º) a escolha do novo presidente da Mesa Diretora do Senado. Com votação suspensa, ela ficará para este sábado.

Em determinado momento, Renan Calheiros (MDB-AL) passou por Tasso Jereissati (PSDB-CE). no corredor do plenário e disparou: “O responsável por isso é você, coronel, cangaceiro”. O diálogo ficou ainda mais agressivo. Tasso, que estava sentado, rebateu: “Você vai para a cadeia”. Ao que Renan emendou: “Seu merda, venha para a porrada”.

Tudo em parte porque os senadores não definiram se a votação seria secreta ou aberta. O voto secreto está no regime, foi definido pelo STF, resultou na eleição do deputado Rodrigo Maia (MDB-RJ) neste mesmo dia na Câmara, mas o receio da vitória de Renan fez com que Davi Alcolumbre (DEM-AP) agisse e nada fosse pra frente.

Questões de ordem foram apresentadas por parlamentares do bloco de oposição a Renan Calheiros para que o pleito fosse aberto. Eles alegaram que a população tem o direito de saber em que o parlamentar votou e o princípio da transparência nas ações tomadas em plenário.

“Não pode haver acordo contra a Constituição e nem contra a liberdade de expressão”, senador Renan Calheiros (MDB-AL) ao ser questionado sobre se havia acordo para a eleição marcada para o sábado.

Sem acordo

Antes do início da sessão, no plenário, funcionários do Senado apostavam que se a votação fosse aberta, o presidente interino Davi Alcolumbre seria o vitorioso no primeiro turno. Diversos senadores contra =questionaram o interesse de Alcolumbre em presidir a sessão tendo intenção de se candidatar ao posto da presidência para suposto benefício próprio.

Sob tumulto e protestos, que contou até com o “roubo” da pasta de Alcolumbre por Kátia Abreu (MDB-TO), o parlamentar do Democratas acabou acatando a questão de ordem e promoveu votação para escolher como seria o formato do voto à presidência. Por 50 a 2, o voto aberto ganhou, mas criou-se um impasse.

Os senadores contrários ao voto aberto e que rejeitaram a consulta anterior sobre como se daria a votação à presidência não aceitavam mais a condução dos trabalhos por Alcolumbre.

“Vossa excelência chegou 10h, sentou na mesa, presidiu a sessão. Tirou os mais idosos. Tirou o Petecão, segundo suplente. Depois transformou uma sessão preparatória em sessão deliberativa, demitiu o Bandeira, que é secretário-geral da Mesa. Isso é um ato administrativo. Com que poder? Se vossa excelência pode tudo isso, quem sou eu, o Renan, Cavalo do Cão?”, disse Renan Calheiros.

Após cinco horas de sessão, dois senadores apresentaram questões de ordem para que os trabalhos fossem suspensos e retomados no dia seguinte. Eles alegaram que não havia mais clima para realizar a escolha do novo chefe da Casa depois de um longo debate sobre o voto aberto ou fechado.

“Acho que democracia só acontece se tiver regras. Quando não tem, dá nisso aí”. Senador Jaques Wagner (PT-BA).

A amante do pai de Kajuru

O senador Jorge Kajuru (PSB-GO) revelou nesta sexta-feira (1º) que seu pai teve uma amante e contou o caso à mãe. Isso para defender que a votação para a Presidência do Senado seja aberta.

“Papai era um padeiro, Zezinho padeiro em Cajuru, próximo de Ribeirão Preto. Eu, filho único. Eu estava com o [jornalista José Luiz] Datena na pizzaria Bambino. De repente, chega o meu pai com uma mulher. E eu levei um susto. Papai veio na minha mesa: ‘meu filho, o que você está vendo aqui é secreto, tá?’. Eu falei: ‘Como assim, pai?’.”Essa aqui é minha amante, filho. Papai falou para mim que é secreto, que não podia falar para a senhora. A senhora está tomando bola nas costas, mamãe. Papai tem uma amante. Eu apanhei demais, o que meu pai me bateu foi uma loucura. Mas eu apanhei tão prazerosamente, porque eu contei para a minha mãe aquilo que meu pai falou que era secreto. Eu não abro mão de que o voto seja aberto.” Senador Jorge Kajuru.