Em tempos de retrocessos na vida brasileira, o País vai vendo o salve-se quem puder da pior maneira possível, graças as atabalhoadas decisões dos senhores do parlamento, os quais, com raras exceções, pouco estão interessados na qualidade de vida da população.
Não é por outra razão que agem pela perpetuação da repressão e da criminalização da pobreza, pelo sepultamento das políticas sociais e da dignidade da pessoa humana.
Não é à toa que fazem coro na defesa do Estado policial em detrimento do Estado social.

O caso mais recente agora do parlamento é a aprovação do projeto que facilita o uso de agrotóxicos ou pesticidas na agricultura nacional, mesmo com parecer contrário de órgãos reguladores como Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) ou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A matéria foi aprovada em comissão especial da Câmara nesta segunda-feira, 25, graças a forte pressão da bancada ruralista que defende o projeto e tem chantageado o fraco governo de Michel Temer para a apoiar a iniciativa.
A verdade é que, na prática, o projeto vai facilitar o uso descontrolado de veneno na produção agrícola do País. Produção esta que será levada à mesa de cada consumidor brasileiro.
Ou seja, quando o mundo inteiro discute a produção agrícola sustentável, livre dos agrotóxicos, em nome da saúde pública, o Brasil, em nome dos interesses nada republicanos de um bloco parlamentar, quer seguir na contramão da história.
Veneno mata – Não custa lembrar que um estudo científico feito pelos órgãos fiscalizadores no Rio Grande do Sul e pesquisadores da Faculdade de Medicina da UFRGS, em 1995, apontou que o uso de agrotóxicos organofosforados na cultura do fumo era o responsável pelo grande número de suicídios na região fumageira do Estado, principalmente no município de Venâncio Aires.
Os dados apontaram um índice de 37,22 suicídios em cada 100 mil habitantes, só em Venâncio Aires, considerado um dos mais altos do mundo. Destas mortes, quase 60% ocorreram na área rural.
Nessa época a aplicação de veneno de forma indiscriminada nas lavouras era liberada no País. O município de Arapiraca também viveu seus problemas com a aplicação de veneno nas plantações de fumo no agreste alagoano.
A bancada ruralista quer voltar ao tempo, sem compromisso com a qualidade de vida dos cidadãos e cidadãs que trabalham no campo, nem com os demais brasileiros que vão sentar às mesas para o consumo dos produtos envenenados.
Em tempos de Copa do Mundo, isso é mais que um gol contra. É um crime.














