21 de janeiro de 2022Informação, independência e credibilidade
Alagoas

Em nota oficial, Fecomércio-AL vê com “preocupação” renovação do decreto

Federação acredita que atrasar a reabertura significa agravar a situação das empresas

Em entrevista coletiva na noite desta segunda-feira (22), o governador Renan Filho anunciou a prorrogação das medidas de combate à Covid-19 em Alagoas por meio do Decreto nº 70.145, instituindo o plano de distanciamento social controlado no Estado, que passou a vigorar à meia-noite desta terça-feira (23) até o dia 30 de junho.

Mas com as dívidas se acumulando e dados econômicos batendo recordes negativos durante a pandemia, o setor econômico em Alagoas parece ter chegado em seu limite. Assim como nas demais regiões do Brasil, o comércio alagoano pressionou o governo para a reabertura de suas atividades, ainda que de maneira “segura”, durante a pandemia do coronavírus.

O governo quase cedeu à pressão: Fecomércio-AL e Associação ou Aliança Comercial já tinham até uma data para o retorno da normalidade: esta segunda-feira, 22 de junho, o dia anúncio do novo decreto de emergência.

Protocolos para a reabertura das atividades econômicas foram vazados e, depois, prontamente liberados, com tudo indicando que o cidadão poderia, enfim, se sentir seguro e apto a fazer suas compras. Mas o vírus não concordou com isso. E a Fecomércio também não.

Confira a nota na íntegra:

O setor produtivo alagoano vem acumulando perdas significativas ao longo da pandemia do coronavírus. Somente em abril, mais de 1.600 postos de trabalho foram fechados no Comércio e outros 2 mil em Serviços. São mais de 90 dias de portas fechadas e contas a pagar.

Diante deste cenário e após ter participado ativamente do grupo de trabalho criado pelos governos estadual e municipal, no qual apresentou propostas para elaboração do protocolo de retomada da atividade econômica, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL) vê com preocupação a nova prorrogação do isolamento social, anunciada ontem (22) pelo Governo do Estado.

A expectativa da entidade era de que fosse iniciada a implantação do protocolo de reabertura das empresas, ainda que de forma gradativa, trazendo um pouco de fôlego a setores tão importantes para o desenvolvimento de Alagoas.

A Fecomércio reconhece o momento difícil pelo qual passa a sociedade e a importância de somar forças no combate à pandemia. Por isso reafirma a necessidade de conjugar os esforços para que os interesses sociais sejam preservados com a reabertura do comércio.

Vale dizer que a função social das empresas é uma garantia de diversos direitos básicos da população, em especial a dignidade da pessoa humana. Atrasar essa reabertura significa agravar, ainda mais, a situação das empresas, que continuam a honrar com seus compromissos financeiros.

A entidade ressalta que cada empresa em atividade cumpre um papel social, pois gera emprego e arrecadação aos cofres públicos, subsidiando ações nas mais diversas áreas, a exemplo da saúde e educação. Eis a relevância e a urgência no retorno das atividades produtivas, o que criará oportunidade para todos.

Pandemia

Sejamos justos: é inviável um estabelecimento durar com as restrições de hoje. Se os grandes sofrem, o que não dizer dos pequenos: mesmo aqueles que podem receber clientes ou que se adaptaram para fazer delivery, os números não estão batendo. Está cada vez mais difícil perdurar mantendo funcionários sem serem demitidos ou mesmo mantendo pontos comerciais longe da falência.

Só que o problema não é a economia: é a pandemia.

Já quase 100 dias com decretos de emergências e restrições no comércio. É horrível para os lojistas e seus funcionários. Situação economicamente temerária. Mas há como ficar pior: com os empresários ou seus empregados morrendo, além de seus próprios consumidores, que foram em vão às ruas, mesmo sem ter dinheiro suficiente para compras que não fariam.

Os números não mentem: se em cifrões está no vermelho, em saúde pode ficar ainda mais crítico. E não é saindo de uma quarentena que nunca entramos que a situação vai melhorar.