Entre civilidade e radicalismo: como o governo começa a reconquistar terreno político

Lula se beneficia de novo cenário em que a divisão principal é entre civilidade democrática e extrema-direita

Nos últimos meses, o debate político no Brasil vai deixando de girar em torno da dicotomia esquerda contra direita e se organiza mais claramente como um confronto entre civilidade democrática e radicalismo.

Com a incorporação de figuras da direita moderada ao governo, como Geraldo Alckmin e Simone Tebet, a narrativa muda: há menos espaço para os extremos tradicionais e mais apelo a valores institucionais, diálogo e pluralismo.

Esse novo contexto político parece refletir-se nas pesquisas mais recentes. Levantamentos mostram que a aprovação ao governo Lula alcançou a marca dos 50%, ultrapassando a desaprovação, que recuou.

Outras sondagens apontam estabilidade em torno de 46% de aprovação e 51% de desaprovação, após recuperações graduais que vinham acontecendo desde meados do ano. Há também indicações de que a popularidade do presidente voltou a crescer em comparação com meses anteriores, quando a avaliação negativa estava em alta.

Entre os fatores que sustentam essa melhora estão o fortalecimento da imagem de defesa da soberania nacional, especialmente após embates comerciais internacionais, além da continuidade dos programas sociais, bem avaliados pela população de menor renda. Soma-se a isso uma percepção de maior estabilidade econômica, mesmo com o desafio persistente da inflação de alimentos, que segue impactando o cotidiano das famílias.

Ainda assim, o governo enfrenta obstáculos: a reprovação continua em níveis elevados e muitos brasileiros consideram que Lula perdeu parte da conexão com o dia a dia das pessoas. Além disso, uma parcela significativa do eleitorado mantém a percepção de que o país segue na direção errada.

Em resumo, o governo vive hoje uma recomposição de imagem. A direita moderada já se incorporou ao campo institucional e democrático, e a disputa política se concentra cada vez mais entre civilidade e extrema-direita.

Se essa tendência se mantiver, pode ser decisiva para os embates que se aproximam em 2026.

 

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