Alagoas deve ganhar protocolo de atendimento aos portadores de doença rara

Estado lidera ocorrências da doença de Huntington, no Brasil; em 2018, 23 casos foram confirmados, com duas mortes

Alagoas deve ganhar, em breve, um protocolo de atendimento voltado aos portadores da Doença de Huntington ou que estão em fase de diagnóstico. O assunto foi tratado durante  encontro recente entre representantes da  Defensoria Pública de Alagoas, o Instituto Doutor Hemerson Casado e Associação Brasil Huntington Jovem.

A  pauta também incluiu temas recorrentes como a necessidade de assistência médica e previdenciária para portadores de doenças raras  no estado e, em especial, no município de Feira Grande, que lidera o número de casos da Coreia de Huntington no Brasil, doença neurodegenerativa progressiva, caracterizada por movimentos indesejados, alterações comportamentais, psiquiátricas e demência. Segundo dados da Associação Brasil Huntington, em 2018, Alagoas registrou 23 casos e dois óbitos da doença.

De acordo com a  pesquisadora e conselheira da Associação Brasil Huntington/Seccional Alagoas  Aparecida Alencar, estima-se que existam casos  de Coreia de Huntington em  seis a nove municípios alagoanos. Ela defende que seja realizado um mapeamento completo de todos os casos que existem em Alagoas. “Infelizmente as estatísticas ainda são imprecisas porque as doenças raras não têm notificação compulsória junto às entidades governamentais”, explicou.

A pesquisadora já apresentou trabalhos sobre a doença em países como Portugal, Holanda e Áustria. Ela  conta que, em alguns casos, o portador tem direitos previdenciários negados, mesmo com a apresentação do laudo médico que comprova a incapacidade laboral. Além disso, também não possui assistência médica especializada e atendimento domiciliar.

A reunião com a Defesnsoria aconteceu na  última segunda-feira (26), quando o  coordenador do Núcleo de Direitos Coletivos e Humanos da Defensoria Pública, Fabrício Souto, garantiu que a instituição vai buscar meios para garantir os direitos aos portadores da doença e demais doenças raras.  Também participaram os  defensores públicos Isaac Souto e Ricardo Melro, o representante da  Associação Brasil Huntington Jovem, Valmir Melo,  presidente do   Instituto Dr. Hemerson Casado, o cardiologista (portador de Esclerose Lateral Amiotrótfica – ELA), Hemerson Casado, e da pesquisadora Aparecida Alencar.

O Instituto e a Associação Brasil Huntington Jovem planejam cooperação científica para construção do protocolo terapêutico voltado aos portadores da Doença de Huntington em Alagoas. A expectativa é que ele seja viabilizado por meio de uma parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com contribuição técnica do departamento de Neurologia do Hospital Universitário. Além disso, também há a expectativa de criação de um centro especializado para atendimento aos portadores da Doença de Huntington em Feira Grande. “Apresentei a demanda para as duas instituições e o retorno foi muito positivo. Estou muito animado com as novidades que estão por vir”, afirmou (com a determinação de sempre) o presidente do Instituto.

(Com informações da Ascom do Instituto)

 

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