EUA confirmam tarifaço contra o Brasil e sinalizam ampliação de exceções

Chefe do USTR deu negociações por encerrado e levou recomendação final a Trump

Os Estados Unidos confirmaram que aplicarão tarifas de 25% sobre dezenas de produtos brasileiros, encerrando as negociações bilaterais. O chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, informou a interlocutores do governo Lula na terça-feira (14) que já encaminhou a recomendação final ao presidente Donald Trump, com o anúncio previsto para esta quarta-feira (15).

A decisão, baseada na Seção 301, atinge setores como comércio digital, serviços de pagamento (com críticas ao Pix), tarifas preferenciais, propriedade intelectual, etanol e desmatamento.

Apesar da confirmação, os EUA sinalizaram uma ampliação da lista de produtos isentos para evitar impactos inflacionários. Café, suco de laranja, carnes e componentes para a indústria aeronáutica (como a Embraer) podem ficar de fora.

O governo brasileiro, que considerou a medida “injusta” e rebateu os argumentos técnicos americanos, avalia adotar retaliações contra produtos ou interesses dos EUA, dependendo da dimensão exata do tarifaço. As autoridades brasileiras destacaram que as acusações sobre desmatamento não se sustentam, dados os números recentes da Amazônia.

A decisão ocorre após meses de negociações infrutíferas e gera mal-estar entre os dois governos. O bolsonarismo, que inicialmente apoiou a investigação dos EUA, agora vê Flávio Bolsonaro tentar convencer Trump a adiar as barreiras, em uma virada de posição. O governo Lula denunciou a medida como uma tentativa de “chantagem” e “extorsão”, e a reciprocidade é defendida por parte dos ministros, embora a resposta dependa do alcance final das tarifas.

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