26 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Fã de Eduardo: Estrategista de Trump diz que Mourão é inútil e desagradável

Steve Bannon também acha que a investigação contra Flavio Bolsonaro é “parte da guerra do marxismo cultural”

Em entrevista na Folha, o estrategista que ajudou a colocar Donald Trump na Casa Branca, e que agora se aproxima de Eduardo Bolsonaro, deputado federal (PSL-SP) filho do presidente, está dedicado a levar seu “O Movimento” para fora dos EUA, principalmente na política brasileira, para pregar ideais de direita radical, populistas e nacionalistas.

E ele já mexe os pauzinhos no governo nacional, ao comentar sobre Mourão sem papas na língua: para Bannon, o vice-presidente general Hamilton Mourão (PRTB) “é desagradável, pisa fora da sua linha”. O americano ao menos se vê aliviado ao ver que o presidente Bolsonaro não lhe atribuiu responsabilidades. “Parece que foi uma decisão sábia.”

E passando a mão na cabeça do clã Bolsonaro, ele defende o senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ). Para Bannon, as investigações de corrupção são parte da guerra do marxismo cultural contra a família no poder. Veja os principais trechos:

Eduardo Bolsonaro:

“Eduardo veio aos EUA em dezembro e tive a sorte de recebê-lo. Nunca vi um político com esse potencial para lidar com públicos diferentes, em inglês. A afiliação a O Movimento visa atingir outros conservadores populistas nacionalistas em países no continente e reforçar aspectos-chave, trazer o poder das elites globais de volta ao homem comum, à pessoa comum. Não há ninguém melhor que Eduardo para isso”.

O Movimento:

“Como na Itália, na Hungria, ou mesmo com Trump, a ideia é expor as pessoas ao que eles estão fazendo e também conseguir agregar apoiadores, expandir nossas ideias, reunir pessoas. Colocar gente influente das finanças, pessoas interessadas em investir, agentes de start-ups, ações públicas e privadas em companhias brasileiras. Agora somos uma rede de partidos políticos e líderes. Não queremos competir com partidos políticos. Falamos às pessoas para se afiliarem aos partidos em seus países e trazer informações de volta ao Movimento”.

Olavo de Carvalho:

“Ele vive na minha cidade, Richmond, Virgínia. Fui à casa dele, tem uma biblioteca gigante, onde dá aulas. Foi uma visita incrível. No dia seguinte, ele iria ao Departamento de Estado americano e eu disse que queria recebê-lo para jantar na minha casa, com gente variada, da mídia, das finanças, da política. Ele falou de todas as grandes ideias, abordou o marxismo cultural, que está destruindo a política sul-americana. Fez de forma formidável. Olavo é um herói, até mesmo global, da direita. Um autodidata, com entendimento profundo do pensamento conservador, populista, nacionalista”.

Mourão:

“Não é muito útil. Pela minha experiência com Trump, quando você chega ao poder, tem que ser o mais unificado possível. Como se pronuncia? ‘Mouraro’? Ele é desagradável, pisa fora da sua linha. Bolsonaro vai fazer uma grande diferença no Brasil e devolver o país ao palco mundial, onde deve estar. Como um observador de fora, me parece que o vice-presidente Mourão gosta de falar muito sobre política externa. Mas, até onde sei, o presidente Bolsonaro não lhe atribuiu responsabilidades e parece que foi uma decisão sábia”.

Flávio Bolsonaro:

“O Capitão Bolsonaro e Eduardo são líderes dinâmicos no palco mundial. Por isso eles são alvos. A luta deles é contra o marxismo cultural que restou. O socialismo econômico faliu claramente. Faliu no Brasil, na Venezuela, em Cuba, é um modelo falido. Mas há ainda um marxismo cultural muito poderoso. Eles vão tentar atacar e destruir. Capitão Bolsonaro e Eduardo e a família ficarão sob intensa pressão. Quando Eduardo me visitou na campanha, o único conselho que dei foi, por favor, cuide do seu pai. O capitão Bolsonaro estará sob intensa, intensa pressão pelo marxismo cultural”.