28 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Justiça

Advogado em Alagoas: mandado investiga fake news e ofensas ao STF

Ele teria postado “eu gostaria de ir ao Supremo Tribunal Federal e na sessão dar um tiro nas costas do ministro Dias Toffoli”

Age nesta quinta-feira (12) a equipe que trabalha no inquérito para apurar uma onda de ataques e fake news contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Parte da ação é tirar do ar as contas nas redes sociais de dois dos autores identificados no caso. A outra busca e apreensão visa recolher computadores e aparelhos usados por operadores dessa rede.

Um guarda civil metropolitano de Indaiatuba, no interior de São Paulo, e um advogado já foram identificados pela equipe que atua no inquérito como suspeitos de estarem por trás das ações. Este advogado inclusive é de Alagoas é investigado na apuração das notícias fraudulentas, ameaças e ofensas feitas a ministros e seus familiares.

Agentes da Polícia Federal em Alagoas cumpriram um mandado de busca e apreensão em sua residência, expedido pelo ministro Alexandre de Moraes. O advogado alagoano teria publicado em suas redes sociais uma mensagem ameaçadora contra o ministro Dias Toffoli, que determinou a abertura do inquérito.

Os agentes federais cumpriram o mandado e recolheram aparelhos eletrônicos do advogado, que nega o envolvimento, apesar de se dizer muito ativo nas redes sociais e “pertinente quanto as suas críticas feitas a diversos assuntos nacionais”, mas que nunca fez nenhuma ameaça aos ministros do STF.

Apesar disso, ele reconhece qual teria sido a mensagem problema: “eu gostaria de ir ao Supremo Tribunal Federal e na sessão dar um tiro nas costas do ministro Dias Toffoli”, postada em 14 de novembro (ano não divulgado). Além desse mandado cumprido em Alagoas, os agentes da Polícia Federal cumprem mandados em outros estados.

Inquérito

O presidente do STF, Dias Toffoli, instaurou o inquérito, que corre em sigilo, no dia 14, e designou o ministro Alexandre de Moraes seu relator. Desde então, houve uma redução dos ataques dirigidos aos ministros, segundo pessoas que acompanham o caso.

A iniciativa é uma resposta a postagens e mensagens ofensivas dirigidas ao Supremo por setores da sociedade, em parte incitadas por congressistas e procuradores da operação Lava Jato.

Ministros são acusados de favorecerem a impunidade, quando não de corrupção. Entre os alvos da apuração pela onda de virulência ao STF estão Deltan Dallagnol e Diogo Castor, da força-tarefa do Ministério Público da Lava Jato.

Em outra frente, no Senado, congressistas tentam instaurar uma CPI (comissão parlamentar de inquérito) para investigar eventuais desvios de ministros, apelidada de Lava Toga. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), no entanto, indicou que não levará a CPI adiante.

Nesta quarta-feira (20), senadores apresentaram proposta de emenda à Constituição que estabelece mandato de oito anos para integrantes do STF.