Flávio Bolsonaro repete o pai e mente sobre urnas em reunião com embaixadores

Senador associou equipamentos brasileiros à empresa venezuelana Smartmatic, tese já desmentida pelo TSE

O pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ), reproduziu informações falsas sobre as urnas eletrônicas durante evento com diplomatas em Brasília nesta terça-feira (21), em episódio similar ao que levou seu pai, Jair Bolsonaro, à inelegibilidade e à prisão.

Diante de representantes de mais de 40 países, Flávio afirmou que as urnas brasileiras teriam “a mesma origem” das da empresa venezuelana Smartmatic, o que é negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O senador citou um relatório da CIA divulgado na semana passada sobre supostas fraudes na Venezuela em 2012 envolvendo a Smartmatic. “Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma… Têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, disse. Na sequência, pediu que os países enviem o maior número possível de observadores para o pleito de 2026.

O TSE já desmentiu essa associação em nota oficial, informando que a Smartmatic nunca vendeu urnas ou softwares para o Brasil, tendo prestado apenas serviços de conexão de dados e treinamento. A empresa participou de licitação para fabricar urnas em 2020, mas perdeu para a Positivo.

Em nota, a assessoria do senador afirmou que ele “não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro” e que o pedido por observadores segue prática internacional. Horas depois, nova nota reforçou que Flávio “reafirma sua integral confiança no sistema eleitoral brasileiro”.

No evento, Flávio também disse que o país não tem segurança jurídica, citando a “perseguição” ao pai, e afirmou que a Polícia Federal está “aparelhada para continuar perseguições políticas aos opositores de Lula”. Sobre a condenação de Jair Bolsonaro, ele declarou que o ex-presidente foi “vítima de uma grande farsa por parte de alguns no poder Judiciário”.

O discurso ocorre em meio à tentativa de Flávio de se apresentar como moderado em comparação ao pai. Em 2022, Jair Bolsonaro fez ataques semelhantes ao sistema eleitoral em reunião com embaixadores, o que resultou em sua condenação à inelegibilidade pelo TSE em 2023 e, posteriormente, à prisão no âmbito do processo da trama golpista.

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