4 de dezembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Cotidiano

Intolerância: Terreiro religioso teve templo destruído em Maceió

Líder espiritual, Mãe Vera está à frente de Casa de Resistência Abassá de Angola acolhe pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Ataque aconteceu na noite de domingo

A ialorixá Veronildes Rodrigues, mais conhecida como Mãe Vera, foi vítima de intolerância religiosa neste domingo de Dia das Mães. Seu terreiro, no Conjunto Otacílio de Holanda, na Cidade Universitária, foi destruído.

Segundo vídeo divulgado nas redes sociais, ela estava em casa quando supostos vândalos tentaram atravessar o portão de ferro. Estes teriam destruído pratos e suportes do templo e pararam ao perceberem que o local não estava vazio.

“Quebra templo, mas não me quebra”. Mãe Vera.

Mãe Vera, que nas últimas eleições concorreu como deputada estadual, é compositora e realizadora de trabalhos voluntários com jovens. Ela é responsável pelo espaço Casa de Resistência Abassá de Angola, em que a líder espiritual, Mãe Vera, acolhe pessoas em situação de vulnerabilidade social.

A casa de acolhimento de Mãe Vera, que recebeu o título de Mestra de Cultura, sobrevive por meio de apresentações culturais do Grupo de Maracatu Raízes da Tradição e também com doações da população e de pequenos comerciantes da região.

Uma intolerância estúpida e perversa – Ao ser informado da violência no terreiro de “Mãe Vera”, o deputado federal Paulão (PT) qualificou o ato como “uma intolerância estúpida e perversa”. Paulão disse que vai pedir providências as autoridades da segurança pública estadual para a devida punição aos responsáveis.

O deputado também destacou que cobrará do governo estadual medidas de proteção a Casa de Resistência Abassá de Angola, que além de um terreiro, desenvolve um trabalho de acolhimento a pessoas em situação de vulnerabilidade social.

A agressão sofrida pelo terreiro de Mãe Vera também recebeu a solidariedade do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores, que qualificou o ato como um crime de conotação racista, “uma vez que se buscou atacar e atingir a comunidade e suas lideranças em razão de sua fé e de sua crença”, disse o presidente do partido, Marcelo Nascimento.

Violência – Em nota, o partido disse que “a violência contra os afro-religiosos, principalmente o Candomblé e a Umbanda, religiões brasileiras edificadas com base nas tradições milenares de culto aos Orixás, vai muito além da desvalorização e de suas experiências culturais e sagradas. Para as comunidades tradicionais de matriz africana, os danos causados pela intolerância à diversidade cultural e religiosa são incalculáveis, atingindo desde os seus espaços sagrados e seus templos, que são destruídos e fechados, até agressões diretas aos praticantes, como têm ocorrido frequentemente em nossa cidade”.