
É de estarrecer ver a Câmara dos Deputados discutir e aprovar, na Comissão de Segurança Pública, um projeto batizado de “Minha Primeira Arma”.
O projeto foi aprovado pelo deputado de direita, Marcos Pollon (PL-MS).
Isso tudo lembra aquela velha história de como a extrema direita iniciou sua cruzada para tomar conta do País e culminou com a chegada de Jair Bolsonaro ao poder. À época, a cruzada era “contra a corrupção”. E nela a histeria dominava, como se os atores fossem todos santos e anjos.
A direita chegou ao poder e com ela veio o Orçamento Secreto, o Banco Master, o PCC em aliança com a Farias Lima, o esquema do INSS e 31 prefeitos presos por corrupção em Santa Catarina, o Estado com maior número de células nazistas do País.
Enfim, logo que assumiram, bandos se formaram defendendo a liberação das armas no Brasil. Era comum, em qualquer evento, ver o presidente e seus seguidores fazendo gestos de arminhas com os dedos, com direito ao slogan risível: “Povo armado jamais será escravizado”.
O que poucos percebiam é que ali existia uma cruzada rentosa para esses atores, que era exatamente o lobby pela indústria das armas. Trata-se do mais poderoso segmento do mercado internacional, que costuma pagar propinas a parlamentares, autoridades e traficantes aliados. O interesse, portanto, era real… Ou o real…
Em outras épocas, por mais simples que fosse, o pai de família gostaria mesmo era de um projeto que viesse com o nome de “Meu Primeiro Livro”. Não teve. As famílias pagavam caro para comprar livros e fardamento escolar para os filhos, no início de cada ano letivo.
Hoje tudo mudou. Em nome do ter, o sujeito engana um monte de gente sem noção, vai ao parlamento com um discurso fácil, para ser visto nas redes socais, e assim crescer na aceitação de uns de boa fé e outros nem tanto…
Pasmem: Seu Pollon fez o projeto da Minha Primeira Arma, que garante isenções fiscais para a compra, estabelece linhas de crédito nos bancos públicos, além de subsídios para a compra do primeiro revólver, rifle, fuzil, espingarda ou coisa que o valha.
Eis que o relator do projeto, deputado Luciano Zucco (PL-RS) foi mais além, como homem da extrema direita, e defendeu em seu relatório final a criação da “Política Nacional de Acesso à Primeira Arma de Fogo”, com incentivo “legal”.
A indústria das armas, naturalmente, vai dizer muito obrigado de todas as formas possíveis e imagináveis…














