Em uma palestra na Espanha nesta segunda-feira (3), futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, afirmou que a imagem do presidente eleito Jair Bolsonaro é “distorcida” e que não há “risco de autoritarismo” nem “risco à democracia” no Brasil.
“É até estranho dizer isso, mas não vislumbro no presidente eleito um risco de autoritarismo ou risco à democracia. Não se está aqui simplesmente trocando uma posição ideológica autoritária por uma posição autoritária de sentido contrário. O presidente eleito durante as eleições, reiteradamente, fez afirmações acerca do seu compromisso com a democracia e com o estado de direito”
Novamente mencionando o quanto é “estranho”, ele explicou ainda os motivos para ter aceito o convite de Bolsonaro: “é estranho um pouco dizer isso, mas, já que existe uma imagem distorcida em relação ao presidente eleito, eu jamais aceitaria uma posição no governo se vislumbrasse também qualquer risco de discriminação de minorias”, acrescentou.
Crimes Políticos
Sob o comando do futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, a nova direção da Polícia Federal pretende reestruturar e reforçar o grupo responsável por investigar perante o STF (Supremo Tribunal Federal) crimes cometidos por ministros e políticos em exercício do mandato.
O setor é tido como essencial para o combate à corrupção, bandeira que Moro, indicado para o cargo pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, definiu como prioridade.
A decisão da equipe de Moro é uma reação à crise a que passa o grupo, conhecido pela sigla SINQ (Serviços de Inquéritos Especiais) desde a gestão do delegado Fernando Segovia. Antes com 13 equipes montadas para as investigações, cada uma com um delegado, escrivães e agentes, esse time hoje conta com apenas cinco equipes fixas.
“Tendemos a pensar a corrupção como um crime econômico, em que se faz a análise de riscos e há a troca compensatória entre o agente corruptor e o agente corrompido. Mas, no fundo, a corrupção afeta acima de tudo, mais do que a eficiência da economia, a confiança. O agente público, seja eleito ou tendo obtido a posição de outra forma, trai a confiança do cargo e do mandato. Quando a corrupção é disseminada, há o abalo significativo em relação à democracia”
E ciente deste abalo na democracia, por ato falho Moro admitiu que Dilma saiu da presidência por motivos que não os oficiais. O motivo foram as “pedaladas fiscais”, mas para ele o motivo teria sido outro: a Petrobrás. Entretanto, como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, estava envolvido no esquema, a Casa teve que ser criativa. De certa formas, palavras do próprio Moro:
“Em 2016, houve o impeachment da presidente Dilma. Ela sofreu impedimento por razões envolvendo principalmente, segundo o Congresso, fraudes orçamentárias. Mas, na minha opinião, o real motivo foram os crimes havidos na Petrobras, e isso não poderia ser utilizado como motivo porque o presidente do processo de impeachment, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, estava envolvido no processo criminoso.”














