O foro privilegiado e a sede de ‘justiça’ dos justiceiros de plantão

De terço nas mãos, ânsias justiceiras aplaudem o reinado do ódio, do rancor e da crueldade

O foro privilegiado acabou. Mas só para deputados e senadores. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) diz que os parlamentares só podem responder a um processo na Corte se as infrações penais ocorrerem em razão da função e cometidas durante o mandato.

Em não sendo assim, os processos deverão ser remetidos para a primeira instância da Justiça. Uma decisão justa, mas incompleta.

Acontece que hoje no Brasil há mais de 5 mil autoridades com direito ao foro privilegiado. Então, a pergunta que não quer calar: -Por que só para os parlamentares?

O que se percebe é que a justiça brasileira tem feito de tudo ultimamente no País, mas quase sempre na base do viés político e ao sabor do clamor popular.

Se essa passou a ser uma tendência fortalecida, há que se estar atento para os desdobramentos  de situações que inevitavelmente surgirão e, certamente, trarão mau agouro para a sociedade.

Julgar para atender as emoções do senso comum é estabelecer o princípio da tirania. O senso comum, quando o assunto é a justiça, cultua a lei de Talião.

É assombroso o espetáculo propiciado pelos populares irados que, plenos de religiosidade, atacam, urram e até atiraram pedras contra os réus dos quais discordam.

E por que prenhe de religiosidade? Exatamente por que não são poucos os que vivem nas igrejas, de terços nas mãos, ou mesmo papando hóstias, mas que no dia a dia agridem, atacam e cobram mais que a condenação – até a morte – de réus ou de um desafeto qualquer, para satisfação de suas ânsias justiceiras.

Inclusive saem das igrejas aos domingos para aplaudir o corpo estendido ao chão de um menor ou maior da periferia, vítima fatal de um tiro na testa. E isso é o mesmo que aplaudir o reinado do ódio, do rancor e da crueldade.

A barbárie como espetáculo deveria passar ao largo da justiça. Esta, enfim, requer prioritariamente fundamentação constitucional e nunca a sentença emocional, costumeiramente cobrada pelos justiceiros de plantão.

A justiça deve ser essencialmente o último dos valores do Direito. E o Direito deve ser para todos: religiosos ou não.

 

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