29 de julho de 2021Informação, independência e credibilidade
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O justiçamento é a multiplicação dos crimes

O crime de Breno foi se parecer com Lázaro, o serial killer | Divulgação

Um homem de 27 anos, identificado como Breno, foi sequestrado por quatro pessoas e torturado, em Campo Grande, no Mato Grosso. Ele recebeu pauladas na cabeça e foi jogado numa fazenda, seriamente ferido.

O crime que ele cometeu para sofrer tamanha judiação? O rapaz, simplesmente, se parece com o Lázaro, o serial killer que se tornou a sensação do momento por sua habilidade em escapar da polícia. Ou seja, um inocente quase perdeu a vida nas mãos de “justiceiros”.

Esse é o resultado da cultura do justiçamento: o assombroso risco de mortes de pessoas inocentes. Os justiceiros sociais não dão a ninguém a chance de se defender e, se for o caso, provar que não cometeu crime e se livrar de uma punição.

Mesmo assim, caso tenha cometido o crime, deixe que o estado resolva, dentro do processo legal, aplicando a punição em consonância com o código penal. Porque, se for diferente, além da morte de inocentes e de o país virar uma bagunça, com cada um aplicando a sua própria lei, o crime se multiplicará.

Eu explico como: nessa terça-feira (22), tínhamos um serial killer à solta. Depois dessa ação criminosa, temos um serial killer e quatro torturadores à solta. Ou seja, era um e, agora, são cinco criminosos na rua.

Parte da mídia tem culpa nisso. A espetacularização da violência que ocupa vultuoso espaço em horários privilegiados, contribui para formar uma sociedade de pessoas assustadas e revoltadas, que enxergam na própria multiplicação da violência como solução para combater a criminalidade.

Viramos uma sociedade que despreza os direitos humanos por pura ignorância. No dia em que as pessoas souberem a história e como os direitos humanos são importantes, cobrando que eles sejam respeitados, talvez, tenhamos uma sociedade menos violenta e cruel com inocentes como Breno.