16 de abril de 2021Informação, independência e credibilidade
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Obedeçam a deus e esqueçam os pastores

Cresci ouvindo que deus é onisciente, onipotente e onipresente.

Isso foi antes dele ser aprisionado pelo neopentecostalismo, esta vertente que usa a divindade como um mero instrumento político ou um meio de dar dinheiro e poder a homens de índole duvidosa.

Acho que o ministro Gilmar Mendes deve ter tido essa clareza ao decidir manter os currais eleitorais e fonte de arrecadação de dinheiro fechados, ao menos, em São Paulo. Com fé em qualquer coisa, o plenário do Supremo deve derrubar a reabertura dos templos em todo o país nesta quarta (7).

Mais uma vez, Mendes teve que corrigir uma cagada do colega ministro do STF Kassio Nunes, que liberou os cultos e missas, em meio a uma pandemia, tomando como base de seu descalabro uma decisão da… Suprema Corte dos Estados Unidos.

Quem se deixa escravizar por estas igrejas não serve a um deus e, sim a um sistema corrupto e escuso de aumento do poder político e financeiro para uma casta de aproveitadores.

Resumindo: os escribas, fariseus e vendilhões do templo fizeram um ótimo negócio. Eles mataram Cristo e, mais de dois mil anos após a crucificação, ainda lucram sobre o cadáver que ocultaram e deram um ar de divindade associando a ele estórias de deuses solares, atribuindo milagres, entre outros feitos.

É uma gente que não liga para o crescimento vertiginoso da curva de mortes diárias no país. Prefere manter seus lucros em cima de pessoas que ainda sofrem com os efeitos econômicos da pandemia.

Dentre tantas ervas-daninhas, porém, há esperança. O pastor Ricardo Gondim, autor do célebre texto “Deus nos livre de um Brasil evangélico” (leia clicando aqui), um dos poucos religiosos que têm o meu respeito, deixou um recado forte a quem te fé sólida:

“Ministro do STF autoriza templos e igrejas abrirem em plena pandemia. Pastores, fechem suas igrejas e colem um aviso na porta: “Melhor obedecer a Deus”.”