Quando a imprensa escolhe quem merece ser humano

Entre “reféns” e “prisioneiros”, o jornalismo nacional parece esquecer que o sofrimento não tem lado

A cobertura nacional sobre conflitos no Oriente Médio revela um padrão preocupante: a linguagem usada para descrever palestinos e israelenses não é neutra. Enquanto israelenses libertados são celebrados como heróis e reunidos com suas famílias, palestinos libertados aparecem como “prisioneiros”, mesmo quando também reencontram parentes após anos de separação.

Essa escolha de palavras sugere que há quem mereça empatia e quem não mereça. A imprensa, que deveria ser ponte entre realidades, muitas vezes transforma a narrativa em um campo de desumanização. Não se trata apenas de política, mas de reconhecimento de histórias humanas: mães que esperam filhos, irmãos que esperam irmãos, pessoas que vivem o mesmo medo, a mesma perda.

Questionar essa parcialidade não é tomar partido do conflito, mas exigir que a cobertura jornalística trate todos os seres humanos com dignidade. Reduzir vidas a “reféns” ou “prisioneiros” é esquecer que, por trás das manchetes, existem famílias, sonhos e lágrimas.

O jornalismo tem a responsabilidade de humanizar, não de escolher quem merece ser lembrado. E se a imprensa nacional pudesse enxergar o povo palestino com a mesma empatia que vê o israelense, talvez todos ganhassem a chance de ser noticiados como pessoas, e não apenas como símbolos de um conflito.

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