Desde 2018, lulistas e bolsonaristas se acostumaram a viver em lados opostos da política nacional. A disputa, que começou dentro das fronteiras brasileiras, já se espalhou para o cenário internacional. Um levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados – mostrou como as opiniões sobre Estados Unidos e China seguem o mesmo roteiro de antagonismo.
Entre os bolsonaristas, 72% avaliam os americanos de forma positiva, enquanto apenas 19% têm visão negativa. Já os lulistas enxergam os EUA com desconfiança: 61% têm opinião negativa e só 26% positiva. Quando o assunto é a China, a lógica se inverte: 51% dos petistas aprovam a imagem dos asiáticos, enquanto 49% dos bolsonaristas reprovam.
Segundo Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, os dados não mostram apenas divergências políticas, mas duas visões de mundo em choque. “A separação entre os grupos ultrapassa 40 pontos percentuais em alguns cenários, o que evidencia uma clivagem profunda”, analisou.
A pesquisa também explorou temas mais amplos, como comércio internacional e democracia. Entre os bolsonaristas, 65% defendem manter o dólar como moeda global, enquanto 58% dos lulistas querem alternativas. Quanto à aproximação diplomática, 74% dos eleitores de Bolsonaro preferem os EUA, e 58% dos de Lula optam pela China.
O bloco dos BRICS, que inclui Brasil, Rússia e Índia, divide opiniões. Quase metade dos bolsonaristas gostaria de ver o país mais distante, enquanto 55% dos lulistas defendem uma maior integração.
A democracia também aparece como ponto de conflito. Para 63% dos bolsonaristas, os EUA são os que mais promovem igualdade e justiça social, enquanto 45% dos lulistas creditam esse papel à China. O meio ambiente é outro exemplo: para 49% dos petistas, os americanos são os que mais prejudicam; para 53% dos bolsonaristas, a culpa é da China.
Apesar de tantas diferenças, há áreas de convergência. Ambos os grupos reconhecem que a China está na frente em inteligência artificial e tecnologia. Também preferem celulares e computadores chineses, ainda que com intensidades distintas. Os dois lados acreditam que os EUA são mais fortes na corrida espacial e, curiosamente, os veem como melhor país para morar.
A pesquisa mostra que lulistas e bolsonaristas até encontram alguns pontos de encontro, mas continuam olhando o mundo com lentes diferentes. Em resumo, quando o assunto é política internacional, o mapa do globo também se divide em vermelho e verde-amarelo.














